Gestão em QSMS-RS e Sustentabilidade

Como pai de três engenheiras, que me contam as situações que elas passam em seu dia a dia, fico sempre preocupo, foram 37 anos de trecho /embarcado em 15 países diferentes, vivendo em rotatividade, morando em canteiro ou em plataforma, não é uma vida fácil, principalmente para as mulheres

Logo trecho, falei! Quando uma delas me disse que gosta é de campo, e estava indo para uma obra trabalhar, fazer o que.

Eu criei minhas filhas para o mundo e “LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER “, vai fundo!

Sejam as melhores profissionais que possam ser!

Mas hoje quero falar sobre uma pessoa, que me ligou esta semana para uma resenha e fazer uma homenagem a uma mulher forte da engenharia de meio ambiente e segurança que tive a honra de trabalhar nos rincões da selva subsaariana na Costa do Marfim.

Ela pediu para não divulgar seu nome, e vou respeitar mas liberou para contar um pouco da sua história comigo no trecho, então vou usar o codinome Maria para representar as muitas mulheres guerreiras do nosso Brasil que adotaram seguir essa área de QSMS-RS  & Sustentabilidade que até pouco tempo era dominada por nós homens.

A coisa mais difícil é encontrar gente querendo trabalhar no trecho.

A maioria das vezes são em lugares remotos como selva ou plataformas de petróleo, não é uma vida fácil

Mas aí vocês vão dizer: “Roberto, o desemprego está grande estou aceitando qualquer lugar” 

Desculpe, BALELA!!!!

Na hora que digo para onde é, recusam ou duram poucos meses na área, a razoes são as amis diversas como: saudade da balada, shopping, família, namorado, marido e etc., já ouvi de tudo quando pedem para sair.

O currículo da Maria era excelente e preenchia perfeitamente a vaga, então a convoquei para uma entrevista, quando apareceu olhei para ela franzina, pensei logo, que nada, quando contar o que ela vai passar vai correr como os outros candidatas…!

Como fui injusto com ela, e com todas que se apresentaram, quem sou eu para julgar assim de cara, por mais experiência que tivesse com pessoas, não poderia jamais fazer isso.

Então… ela aceitou!

Embarcou comigo, depois de 4 voos, sendo um de monomotor sob uma selva fechada (ela não piscou um momento se quer).

Chegamos, como era início de obra, fomos dormir em tendas, seu trecho uma ferrovia de 600 km cortando uma selva fechada e depois de uma guerra civil que ainda continuava em alguns trechos.

Cobras venenosas, leopardos, crocodilos, campo minado, religiões que não aceitam mulheres no trabalho e 934 colaboradores (homens) de diversas nacionalidades.

Esse era o pacote dela.

Maria, com duas filhas que deixou com mãe para cuidar, a cada 90 dias tinha o direito de passar 14 dias em casa, menos 4 dias de viagem de ida e volta.

Jamais titubeou com seus comandados, nunca deixou eles passarem dos limites.

Quando tinha que ir ao banheiro (na selva), não se intimidava

A bolsa de apostas de quanto tempo ia durar no trecho, dizia 1 mês e outras menos que isso.

Uma vez, um dos colaboradores apareceu com um dedo decepado em sua frente enquanto segurava o dedo em sua outra mão.

Ao mesmo tempo (40 minutos depois) o pessoal da tribo perto do trecho, aparecia com crianças que tinham pisado em uma mina e estavam dilaceradas.

O gerente de produção desmaiou ao ver as crianças estraçalhadas pelas minas, os engenheiros começaram a gritar e uns a chorar.

E gritaram o de sempre; CHAMA A SEGURANÇA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Quando não é bem assim………………………, mas vamos lá, o texto não é para isso, agora.

Maria sem perder a calma, acionou todos os protocolos de emergência, deliberou seus assistentes para seguir com a obra, foi na tribo consolar as famílias, escreveu todos os reports. para mim em menos de 24 horas como mandava o regulamento e enviou sugestões para melhorar os procedimentos no mesmo dia.

Não quis voltar a base (cidade), terminou o dia no trecho, e tocou a vida.

A obra durou 2 anos e 6 meses neste lugar!!!

Ela me acompanhou em outras obras pelo mundo a fora, e depois de um certo tempo fez o que eu fiz desde o ano passado quando regressei ao Brasil em definitivo

“Quero um tempo para ver meus filhos crescerem assim me disse!”

Meus amigos do trecho, para fazer tudo que ela fez e passar por esses desafios tudo ao mesmo tempo.

E não perder o profissionalismo.

É para poucos, parabéns a ela e a todas as outras Marias profissionais!

PS: Desde esses acontecimentos, minhas equipes passaram a ter mais mulheres que homens.

Estamos juntos!

Publicado por Roberto Roche

Roberto Roche ao longo de três décadas consolidou sua experiência exercendo vários cargos de alta direção em QSMS–RS & Sustentabilidade nas áreas de Óleo & Gás, Construção Civil Pesada, Montagem Industrial, Portos e Mineração em mais de 15 países na América Latina, África e Oriente Médio como Mars, Queiroz Galvao Internacional e Odebrecht Internacional e Imerys .

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