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Como utilizar o BOW TIE em procedimentos críticos das operações em fabricas.

O BOW TIE pode ser utilizado como uma ferramenta central para desenvolver, revisar e fortalecer os procedimentos operacionais críticos de uma fábrica, transformando a análise de riscos em instruções práticas, barreiras de prevenção e mecanismos de proteção que precisam funcionar durante a execução das atividades.

O ponto fundamental é: não basta ter um procedimento escrito.

É necessário saber quais riscos ele controla, quais barreiras impedem um acidente e como verificar se essas barreiras realmente funcionam.

Vou apresentar uma aplicação prática para o ambiente industrial.

  1. Onde aplicar o BOW TIE nos procedimentos críticos?

Em uma fábrica, recomendo começar pelas atividades com potencial de provocar fatalidades, lesões graves, incêndios, explosões, perdas de contenção ou danos ambientais significativos.

Não é necessário começar por todos os procedimentos.

 O ideal é priorizar aqueles associados aos cenários de maior gravidade.

2. Como aplicar o BOW TIE na elaboração de um procedimento?

Sugiro trabalhar em oito etapas.

ETAPA 1 – Identificar a atividade crítica

Escolher uma atividade operacional ou de manutenção que apresente riscos significativos.

Exemplo: intervenção para desobstrução e limpeza de um transportador de correia.

ETAPA 2 – Identificar os perigos

Identificar as fontes de energia e situações perigosas:

  • Energia elétrica.
  • Energia mecânica.
  • Partes móveis e rotativas.
  • Energia residual ou armazenada.
  • Possibilidade de partida inesperada.

ETAPA 3 – Definir o EVENTO CENTRAL (TOP EVENT)

Exemplo:

Perda de controle sobre as energias perigosas durante a intervenção, permitindo movimentação inesperada do equipamento.

ETAPA 4 – Identificar as ameaças

O que pode provocar esse evento?

  • Bloqueio elétrico inadequado.
  • Falha na identificação das fontes de energia.
  • Ausência de bloqueio individual.
  • Falha na comunicação entre operação e manutenção.
  • Energia residual não eliminada.
  • Descumprimento do procedimento.
  • Intervenção de terceiros sem autorização.

ETAPA 5 – Identificar as barreiras preventivas

Quais barreiras impedem que o evento aconteça?

  • Procedimento de bloqueio e etiquetagem (LOTO).
  • Identificação de todas as fontes de energia.
  • Bloqueios físicos e dispositivos de isolamento.
  • Dissipação ou contenção de energia residual.
  • Teste e verificação de energia zero.
  • Autorização formal para intervenção.
  • Capacitação e autorização dos profissionais.

ETAPA 6 – Identificar as consequências e barreiras mitigadoras

Caso o evento aconteça, o que poderá ocorrer?

Consequências:

  • Esmagamento.
  • Amputação.
  • Lesões graves.
  • Fatalidade.
  • Danos aos equipamentos.

Barreiras mitigadoras:

  • Sistema de parada de emergência, quando aplicável e adequadamente projetado.
  • Plano de resposta a emergências.
  • Recursos de resgate.
  • Atendimento de primeiros socorros.
  • Acionamento imediato das equipes de emergência.

3. Como transformar o BOW TIE em um procedimento operacional?

Aqui está uma das partes mais importantes da metodologia.

O resultado da análise não deve ficar somente em um diagrama ou apresentação de treinamento.

Ele precisa ser incorporado ao procedimento operacional.

Veja um exemplo:

O procedimento deve especificar responsáveis, critérios de aceitação, pontos de verificação e condições para interromper a atividade.

4. Um ponto fundamental: verificar a eficácia das barreiras

Na minha experiência, este é um dos maiores desafios da gestão de riscos industriais.

Uma empresa pode possuir:

  • Procedimentos aprovados.
  • Treinamentos realizados.
  • APRs preenchidas.
  • Permissões de trabalho emitidas.
  • Equipamentos de proteção disponíveis.

Mas isso não significa necessariamente que os riscos estão controlados.

Para cada barreira crítica identificada no BOW TIE, precisamos responder:

  1. A barreira está efetivamente implantada?
  2. Está disponível quando necessária?
  3. Funciona conforme o desempenho esperado?
  4. Existe responsável por sua manutenção e verificação?
  5. Como demonstramos sua eficácia?
  6. O que acontece quando a barreira falha?

O ICMM, em seu Guia de Gestão de Controles Críticos de 2026, reforça a importância de definir requisitos de desempenho, atribuir responsabilidades e verificar periodicamente se os controles estão funcionando na prática. (ICMM)

5. Integrar o BOW TIE à gestão operacional da fábrica

Minha recomendação é integrar a metodologia aos seguintes instrumentos:

Importante: o BOW TIE complementa outras ferramentas de análise.

Em processos industriais complexos, por exemplo, pode ser utilizado em conjunto com HAZOP e LOPA. (ICMM)

6. Como medir os resultados?

Recomendo criar indicadores específicos para acompanhar os controles críticos.

Exemplos:

  • Percentual de barreiras críticas verificadas.
  • Percentual de procedimentos críticos revisados.
  • Número de falhas identificadas em bloqueios LOTO.
  • Número de dispositivos de segurança indisponíveis.
  • Percentual de inspeções de barreiras realizadas no prazo.
  • Número de desvios operacionais relacionados às barreiras críticas.

O objetivo é identificar a deterioração dos controles antes que aconteça um acidente.

Minha recomendação para as indústrias

Implantar um programa denominado:

BOW TIE NA GESTÃO DOS PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS CRÍTICOS

Com cinco entregáveis principais:

  1. Identificação e priorização dos procedimentos críticos.
  2. Construção dos diagramas BOW TIE por atividade ou cenário.
  3. Identificação das barreiras preventivas e mitigadoras.
  4. Revisão dos procedimentos incorporando as barreiras críticas.
  5. Implantação de indicadores e verificação da eficácia das barreiras.

O resultado esperado é transformar procedimentos operacionais em instrumentos efetivos de gestão de riscos.

Uma reflexão importante:

Sua fábrica possui procedimentos operacionais críticos ou possui procedimentos que realmente impedem acidentes?

Existe uma diferença enorme entre ter um procedimento aprovado e demonstrar que as barreiras previstas nele são confiáveis.

O BOW TIE permite visualizar essa diferença, identificar vulnerabilidades e transformar experiência operacional em prevenção efetiva.

Estamos juntos

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