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COMO UM ANALISTA ESG DEVE PRIORIZAR RISCOS MATERIAIS UTILIZANDO O BOW TIE?

Quando uma empresa identifica 20 riscos ESG, todos devem receber o mesmo nível de atenção?

Não necessariamente.

O desafio não é produzir uma lista extensa.

É entender quais riscos exigem investigação mais profunda, quais podem afetar as perspectivas da empresa e onde a gestão deve concentrar esforços.

Ao longo de décadas realizando análises de riscos, aprendi que uma ferramenta útil para aprofundar essa avaliação é o Bow Tie.

Ele organiza o risco em torno de um evento central e ajuda a visualizar como as causas podem levar a consequências e onde os controles podem interromper esse caminho.

A estrutura é simples:

Causas e ameaças → Evento de risco → Consequências

À esquerda do evento, analisamos as ameaças: condições ou falhas que podem desencadear o risco.

Entre as ameaças e o evento, identificamos os controles preventivos.

À direita, mapeamos as consequências possíveis caso o evento ocorra e os controles de mitigação e resposta que podem reduzir seus efeitos.

Por exemplo, diante de um risco de escassez de água:

  • Ameaças: seca prolongada, estresse hídrico na região ou dependência de uma única fonte.
  • Evento central: interrupção ou restrição do abastecimento.
  • Consequências: paralisação da produção, aumento de custos, perda de receita, danos a ativos ou tensão com comunidades.
  • Controles preventivos: eficiência hídrica, fontes alternativas e monitoramento da bacia.
  • Controles de mitigação: planos de contingência, estoques operacionais e protocolos de resposta.

O Bow Tie não serve apenas para desenhar o risco.

Ele permite visualizar cenários: o que pode acontecer, por quais caminhos, com quais controles e com que consequências para o negócio.

Também evidencia onde os controles são frágeis, dependentes de terceiros ou insuficientes diante de um cenário mais severo.

Para priorizar, considero dimensões como:

👉 Exposição: quão exposta está a empresa?
👉 Probabilidade: qual a chance de o evento ocorrer?
👉 Magnitude: quão graves podem ser suas consequências?
👉 Horizonte de tempo: quando os efeitos podem surgir — no curto, médio ou longo prazo?
👉 Dependência: quanto o negócio depende do recurso, ecossistema, força de trabalho, fornecedor ou sistema envolvido?
👉 Resiliência: quais controles e medidas de mitigação existem, e quão eficazes são?
👉 Caminho financeiro: como o risco pode afetar receita, custos, CAPEX, ativos, fluxos de caixa, acesso a financiamento e custo de capital?

Uma distinção é essencial: alta prioridade de análise não significa automaticamente que o risco seja relevante para divulgação.

Um risco pode exigir atenção imediata por causa da exposição ou das consequências potenciais, mesmo que as evidências disponíveis ainda não permitam concluir sua relevância.

Por isso, não pergunto apenas:

“Qual risco ESG parece ser o maior?”

Pergunto:

“Quais riscos podem afetar de forma mais significativa as perspectivas da empresa, por quais cenários isso poderia ocorrer, quais controles existem e o que as evidências disponíveis nos permitem concluir?”

Essa é a diferença entre listar riscos ESG e analisá-los e é onde o Bow Tie ajuda a transformar uma lista em uma visão mais clara para a decisão.

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