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Utilizando o BOW TIE para avaliação de riscos climáticos no agro, alguns exemplos de nossa consultoria.

No agronegócio, risco climático já não pode ser tratado como uma variável periférica ou exclusivamente operacional.

Nossa consultoria utiliza essa metodologia para renovação de franquia do seguro (SUSEP 666) e, para aplicação de pedidos para financiamento sustentável.

Ele influência diretamente a capacidade de entrega, a previsibilidade financeira, a eficiência do capital alocado e a resiliência da cadeia produtiva.

 Em um ambiente marcado por maior volatilidade meteorológica, a gestão executiva passa a exigir instrumentos que convertam incerteza climática em decisões objetivas de prevenção, mitigação e resposta.

Seca, geada, calor extremo e excesso de chuva afetam não apenas produtividade e qualidade, mas também logística, custo operacional, cumprimento contratual e geração de caixa.

A metodologia Bow Tie organiza o risco de forma clara, visual e acionável.

No centro está o evento crítico nestes casos nossos trabalhos aqui apresentados,

” EVENTO CLIMÁTICO “

o ponto em que a operação perde o controle sobre um risco relevante.

À esquerda, ficam as ameaças que podem conduzir a esse evento; à direita, as consequências caso ele se materialize.

Entre esses blocos, posicionam-se as barreiras preventivas e mitigatórias, permitindo identificar com precisão onde o controle é robusto, onde há fragilidade e onde o investimento deve ser priorizado.

Essa lógica é compatível com os princípios da ISO 31000, que orienta a identificação, análise, avaliação e tratamento de riscos como parte da governança e da tomada de decisão.

No agro, o Bow Tie cria uma ponte direta entre fenômeno climático e impacto econômico.

Em vez de tratar seca, geada ou excesso hídrico como eventos genéricos, a metodologia força a definição do evento que efetivamente compromete o desempenho do negócio por exemplo, perda do potencial produtivo, ruptura da janela operacional, dano à qualidade comercial ou pressão abrupta sobre o caixa.

Essa objetividade melhora o diálogo entre campo, suprimentos, finanças, seguros e liderança, além de apoiar decisões mais consistentes sobre CAPEX, priorização de barreiras e desenho de planos de contingência.

  • Perigo: a fonte de dano relevante ao negócio, como exposição climática de uma cultura sensível em região de alta variabilidade hídrica ou térmica.
  • Evento crítico: a materialização da perda de controle, como estresse hídrico severo em fase reprodutiva, dano por geada em fase sensível ou saturação do solo impedindo a operação.
  • Ameaças: causas ou condições que conduzem ao evento, como atraso no plantio, baixa reserva de água no solo, deficiência de drenagem, escolha varietal inadequada ou falhas de monitoramento meteorológico.
  • Barreiras preventivas: medidas que reduzem a chance de o evento ocorrer, como zoneamento agrícola, escalonamento de plantio, manejo de solo, irrigação suplementar, escolha de cultivares mais tolerantes e monitoramento climático.
  • Consequências: efeitos no negócio, incluindo quebra de produtividade, perda de qualidade, aumento do custo operacional, atraso logístico, impacto em contratos, necessidade de replantio e pressão sobre caixa.
  • Barreiras mitigatórias: ações que reduzem o impacto após o evento, como seguro rural, renegociação contratual, redirecionamento logístico, colheita emergencial, suplementação alimentar e plano de contingência.

Seca em soja ou milho.

Em muitas operações, o risco não é apenas “falta de chuva”, mas sim a perda de potencial produtivo em fase crítica da cultura.

O evento crítico pode ser definido como estresse hídrico severo no período reprodutivo.

 Entre as ameaças, entram atraso no plantio, baixa cobertura do solo, compactação, dependência exclusiva de chuva e ausência de monitoramento preditivo.

As barreiras preventivas incluem correção do perfil de solo, manejo para aumento de infiltração e retenção de água, escalonamento de semeadura, cultivares adaptadas e, quando viável, irrigação suplementar.

Caso o evento ocorra, as consequências podem incluir quebra relevante de safra, redução do peso de grãos, necessidade de revisão de contratos e deterioração do fluxo de caixa.

 Nessa etapa, entram barreiras mitigatórias como seguro rural, hedge de margem, priorização de talhões mais viáveis e revisão imediata do plano financeiro.

Geada em café, hortifrúti ou cana em áreas sensíveis.

O evento crítico pode ser caracterizado como dano térmico severo em tecidos vegetais durante uma janela fenológica sensível.

 As ameaças típicas incluem localização em baixadas, ausência de monitoramento microclimático, escolha de áreas ou variedades mais suscetíveis e falta de protocolos de resposta.

 As barreiras preventivas podem envolver zoneamento, manejo varietal, planejamento de áreas, monitoramento de previsão e critérios de acionamento para proteção operacional.

 Se a geada ocorrer, as consequências podem ir de perda parcial de produção até comprometimento plurianual do ativo biológico, especialmente em culturas perenes.

 Nesse cenário, barreiras mitigatórias incluem plano de recuperação da lavoura, priorização de talhões, replanejamento comercial e acionamento de instrumentos de proteção financeira.

Excesso de chuva e paralisação operacional.

 Em várias cadeias, o evento crítico não é apenas o alagamento, mas a impossibilidade de executar plantio, pulverização, colheita ou transporte dentro da janela adequada.

 As ameaças incluem drenagem deficiente, estradas internas frágeis, baixa capacidade de armazenagem temporária, equipamentos sem flexibilidade operacional e ausência de plano logístico alternativo.

As barreiras preventivas passam por infraestrutura de drenagem, melhoria de acessos, planejamento de janelas operacionais, mecanização compatível e integração entre operação de campo, armazenagem e transporte.

 Uma vez ocorrido o evento, as consequências podem incluir perda de qualidade, aumento de umidade, atrasos de entrega, multas contratuais, maior custo de secagem e gargalos logísticos.

 Como barreiras mitigatórias, destacam-se contratos logísticos alternativos, capacidade de secagem e armazenagem, priorização de colheita e plano de contingência comercial.

Para a alta gestão, o principal valor do Bow Tie está em transformar risco em arquitetura de decisão.

 A metodologia permite responder, com objetividade, quatro perguntas críticas: qual evento compromete o resultado do negócio, quais fatores elevam sua probabilidade, quais controles sustentam a resiliência operacional e quais impactos financeiros emergem se esses controles falharem.

 Com isso, a discussão deixa de ser descritiva e passa a orientar decisões concretas sobre investimento, seguros, desenho operacional, governança de terceiros, logística e continuidade.

 Em um setor no qual a volatilidade climática tende a ampliar frequência e severidade de perdas, o Bow Tie se consolida como instrumento útil para reduzir vulnerabilidade, fortalecer previsibilidade e elevar a qualidade da gestão de risco.

Abaixo, um exemplo executivo de aplicação da metodologia à cultura da soja, tomando como foco o risco de seca em fase reprodutiva um dos eventos com maior potencial de impacto econômico sobre produtividade, qualidade e cumprimento de compromissos comerciais.

Do ponto de vista executivo, o quadro permite enxergar com rapidez onde o risco se forma, quais controles realmente reduzem a exposição e quais mecanismos preservam o resultado caso o evento se materialize.

Na prática, esse tipo de visualização facilita a priorização de investimento, a definição de responsabilidades e a integração entre produção, suprimentos, finanças, seguros e área comercial.

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