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Reciclagem e SGA: uma gestão integrada é essencial

Ao longo de décadas de atuação em due diligence ambiental (EDD), desenvolvi uma visão abrangente e integrada da gestão de riscos ambientais.

 Essa experiência vai além das práticas de reciclagem e inclui a identificação e a avaliação de passivos ambientais no solo e na água, bem como a elaboração e a revisão de inventários de gases de efeito estufa.

Na prática, essa experiência abrange a construção e a revisão do modelo conceitual da área, com identificação de fontes potenciais de contaminação, mecanismos de liberação, rotas de migração no solo e na água subterrânea, vias de exposição e receptores; a definição de planos de investigação, com pontos de sondagem e poços de monitoramento, parâmetros analíticos, controle de qualidade, cadeia de custódia e interpretação dos resultados em relação aos critérios legais aplicáveis; e a estimativa de passivos, incorporando extensão da contaminação, alternativas de remediação, custos, prazos e riscos para a operação.

Nos processos de conformidade e gestão de resíduos, o trabalho inclui a revisão de licenças, condicionantes, manifestos, certificados de destinação, autorizações de transportadores e receptores, classificação dos resíduos, registros de volume e massa, balanços entre geração e destinação e evidências de tratamento, recuperação, reciclagem ou disposição final.

 Essa verificação permite identificar lacunas de rastreabilidade, terceirizações sem qualificação adequada e divergências entre documentos, estoques e fluxos físicos.

Na elaboração ou revisão de inventários de gases de efeito estufa, são avaliados os limites organizacionais e operacionais, as fontes de emissão e remoção, a qualidade dos dados de atividade, os fatores de emissão, as premissas de cálculo, o tratamento de incertezas e a consistência da série histórica.

A análise também considera controles para rastreabilidade das informações, documentação das metodologias, recalculo do ano-base quando necessário e preparação das evidências para verificação independente.

Na reciclagem e na logística reversa, a avaliação técnica acompanha o material desde a geração até o destino, verificando pesagens, segregação, armazenamento temporário, transporte, rendimento do processo, rejeitos e comprovação do destino das frações recuperadas.

A análise do ciclo de vida dos materiais (ACV) complementa esse trabalho por meio da definição de objetivo e escopo, unidade funcional e fronteiras do sistema, seguida do inventário de entradas e saídas, da avaliação de impactos e da interpretação dos resultados, permitindo comparar alternativas sem deslocar impactos entre etapas do ciclo de vida.

Esses exemplos mostram que a reciclagem não deve ser tratada como uma iniciativa isolada, mas como parte de uma abordagem integrada de gestão ambiental. É a partir dessa perspectiva que se torna necessário examinar como essas práticas se relacionam com o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) e com os requisitos da ISO 14001.

Em trabalhos recentes de due diligence ambiental (EDD) realizados para nossos clientes, identificamos uma falta de alinhamento entre as práticas de reciclagem de produtos e a gestão dos respectivos Sistemas de Gestão Ambiental (SGA).

Esse desalinhamento merece atenção, pois os princípios da ISO 14001 favorecem a integração entre as práticas de reciclagem e o SGA.

A implementação adequada dos requisitos da ISO 14001 no Sistema de Gestão Ambiental (SGA) contribui para reduzir os riscos de impactos ambientais e a geração de resíduos.

Por isso, práticas como a reciclagem e a economia circular são fundamentais.

A política ambiental da organização deve assumir o compromisso de prevenir impactos socioambientais e cumprir todas as obrigações de conformidade aplicáveis.

Embora as obrigações de conformidade variem conforme o setor e a região, a importância de uma reciclagem eficaz permanece a mesma.

Considere os cenários a seguir e os possíveis impactos de processos de reciclagem conduzidos de forma inadequada:

Um fabricante de TV tem um esquema de “logística reversa “, mas em vez de reciclagem eficaz, as peças são desmontadas, e algumas são enviados ilegalmente para um lixão.

Um vendedor de bateria recebe muitas usadas ou danificadas de volta, mas entrega uma grande quantidade para um negociante de sucata, sem o conhecimento do destino.

Um fabricante de computadores recebe equipamentos danificados e os encaminha a um canal de reciclagem cuja eficácia não foi devidamente verificada.

Os exemplos mencionados acima demonstram que substâncias perigosas podem estar espalhadas por aí afetando a sociedade e ao meio ambiente

A ISO 14001 fornece uma abordagem estruturada para lidar com resíduos.

Existem vários itens/capítulos da norma que podem ajudar a apontar a sua organização no sentido de assegurar no processo, como:

Liderança.

Os líderes organizacionais são responsáveis para o desempenho do SGA;

 Portanto, é vital que uma instrução de prevenção a impactos socioambientais exista na política ambiental.

 Da mesma forma, é importante que a alta administração assegura que todos os detalhes são conhecidos e que a reciclagem, feita em casa ou subcontratado, é realizada corretamente.

Planejamento;

A reciclagem deve ser parte das obrigações de conformidade da organização e parte de seu planejamento de atingir metas ambientais, uma das quais pode ser 100% do produto reciclado.

Também é recomendável classificar o processo de reciclagem como um aspecto ambiental ou incluí-lo na avaliação anual de riscos, de modo a assegurar sua revisão e melhoria contínuas.

Como a tecnologia e a legislação mudam constantemente, as organizações devem revisar regularmente seus processos de reciclagem para manter sua eficácia e conformidade.

Melhoria;

 Como mencionado anteriormente, uma constante revisão e ação é a maneira mais eficaz para garantir a melhoria contínua em seu SGA, e uma revisão semelhante do seu processo de reciclagem pode garantir que ele atenda às necessidades dos stakeholders e cumpra com a legislação.

O uso dos requisitos da ISO 14001 para assegurar a eficácia do processo beneficia a organização e contribui para a proteção ambiental.

A organização deve dispor dos recursos necessários para cumprir sua responsabilidade ambiental e refletir esse compromisso de forma clara no SGA.

O compromisso de cada organização é essencial para fortalecer a gestão ambiental e promover práticas de reciclagem responsáveis.

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