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PASSIVO AMBIENTAL: SEU INVENTÁRIO DE GEE NÃO TEM COMO ESCONDER PARA SEMPRE.

Ao longo de décadas trabalhando internacionalmente com due diligence de M&A, gestão de riscos, ESG e inventários de GEE, aprendi uma coisa que considero fundamental:

Na aquisição de uma empresa, você não compra apenas ativos, contratos, mercado e faturamento. Você pode estar comprando também passivos que ainda não apareceram no balanço.

E um deles pode estar justamente nas emissões de gases de efeito estufa.

Tenho participado de processos de due diligence, investigação e asseguração de informações ambientais e de inventários de GEE em diferentes organizações e mercados.

E existe um erro recorrente:

confiar no inventário apresentado pela empresa-alvo sem investigar suficientemente a qualidade, a origem e a rastreabilidade dos dados.

Um inventário pode parecer tecnicamente correto no papel.

Mas algumas perguntas precisam ser feitas:

• De onde vieram os dados?

• Existem evidências que sustentam as informações reportadas?

• As fontes emissoras foram realmente identificadas?

• Existem lacunas de dados?

• Foram utilizadas estimativas? Em quais situações?

• Os fatores de emissão são adequados?

• O limite organizacional está correto?

• As emissões de Escopo 1 e 2 estão completas?

• E o Escopo 3?

• Existem emissões históricas que nunca foram contabilizadas?

• Há passivos ambientais relacionados à operação?

• Existem obrigações regulatórias futuras que podem gerar custos?

• O inventário foi verificado ou assegurado por terceira parte competente?

• O sistema de coleta e controle dos dados é robusto ou depende de planilhas e informações não rastreáveis?

E principalmente:

O QUE A EMPRESA ESTÁ COMPRANDO REALMENTE?

Porque em uma operação de M&A, uma inconsistência no inventário de GEE não é simplesmente um problema de sustentabilidade.

  • Pode ser um problema financeiro.
  • Pode ser um problema regulatório.
  • Pode ser um problema contratual.
  • Pode ser um problema reputacional.
  • E pode se transformar em um passivo ambiental relevante.

Imagine adquirir uma indústria, uma usina, uma mineradora ou uma empresa com operações intensivas em energia e descobrir posteriormente que:

As emissões estavam subestimadas, os dados históricos eram frágeis, determinadas fontes não foram consideradas ou existiam obrigações ambientais que não estavam adequadamente refletidas na avaliação do negócio.

O comprador pode acabar assumindo um problema que não criou.

É por isso que, na minha visão, inventário de GEE não deveria ser tratado como um documento isolado dentro de uma due diligence de M&A.

Ele precisa conversar com:

  • Passivo Ambiental
  • Gestão de riscos
  • Controles Internos
  • Governança
  • Compliance
  • Cadeia de Valor
  • Regulação
  • Estratégia
  • Valuation

A minha experiência internacional mostrou isso há décadas.

E agora esse tema ganha cada vez mais relevância no Brasil.

O mercado está caminhando para uma realidade em que dados ambientais terão cada vez mais impacto sobre acesso a capital, clientes, mercados internacionais, seguros, financiamento e valor dos ativos.

Por isso, antes de assinar uma aquisição, eu faria uma pergunta simples:

“VOCÊ ESTÁ COMPRANDO UMA EMPRESA OU ESTÁ COMPRANDO OS PASSIVOS QUE ELA NÃO CONSEGUIU ENXERGAR?”

Due diligence de M&A não é apenas verificar documentos.
É investigar o que os documentos podem não estar contando.

E, quando falamos de GEE:

OS NÚMEROS DEIXAM RASTROS.

GEE • PASSIVO AMBIENTAL • M&A • DUE DILIGENCE • RISCO • GOVERNANÇA • ESG

Estamos juntos

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