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Como identificar um bom palestrante ou consultor de ESG /SUSTENTABILIDADE /QSMS-RS?

Antes de contratar alguém, faça perguntas simples.

  • Ele já executou aquilo que ensina?
  • Já liderou equipes?
  • Já enfrentou crises reais?
  • Consegue explicar conceitos complexos em linguagem simples?
  • Conta apenas casos de sucesso ou também compartilha erros e aprendizados?
  • Quando recebe perguntas difíceis, responde com experiência ou com mais slides?

Normalmente, quem realmente conhece o assunto responde de forma objetiva.

Quem apenas decorou a teoria costuma responder com palavras cada vez mais difíceis.

No fim, a experiência deixa uma lição importante.

Conhecimento pode ser adquirido em poucos anos.

Autoridade verdadeira é construída ao longo de uma vida inteira de trabalho, acertos, erros e responsabilidade.

E essa, pelo menos para mim, continua sendo a maior diferença entre quem apenas fala sobre o trabalho… e quem já viveu o trabalho.

Há uma pergunta que faço antes de assistir a qualquer palestra ou contratar qualquer consultor:

“Essa pessoa já bateu um prego na linha de frente?”

Pode parecer uma pergunta dura.

Mas, depois de mais de 40 anos trabalhando em operações, ESG, gestão de crises, saúde, segurança, meio ambiente e governança, aprendi que existe uma enorme diferença entre quem estudou um problema e quem já teve que resolvê-lo às três da manhã.

Hoje vejo surgir, quase diariamente, novos “especialistas”.

São consultores, influenciadores e palestrantes que falam com enorme autoridade sobre ESG, cultura de segurança, gestão de riscos, sustentabilidade e liderança.

  • Slides impecáveis.
  • Palavras em inglês.
  • Gráficos sofisticados.
  • Frameworks de todos os tipos.

Até que chega à sessão de perguntas.

É nesse momento que a teoria encontra a realidade.

Lembro de um congresso em que um palestrante apresentou uma brilhante exposição sobre ESG. Tudo parecia perfeito.

Então alguém da plateia perguntou:

“Você já conduziu uma due diligence ESG em uma empresa com passivos ambientais relevantes e conflitos com comunidades?”

A resposta começou com conceitos, passou por propósito corporativo, criação de valor e terminou… sem responder à pergunta.

Em outro evento, um especialista em cultura de segurança fez uma excelente apresentação sobre comportamento seguro.

Ao final, um supervisor perguntou:

“Amanhã, às seis da manhã, um trabalhador se recusa a interromper uma atividade insegura por pressão da produção. O que você faz?”

Depois de alguns segundos de silêncio, vieram apenas conceitos genéricos.

Faltava justamente aquilo que não se aprende em livros:

Experiência de campo.

Não estou dizendo que a academia não seja importante.

Muito pelo contrário.

Ela é essencial.

Mas conhecimento técnico e experiência prática não competem.

Eles se complementam.

O problema começa quando alguém fala com autoridade sobre situações que nunca viveu.

Porque, em gestão de riscos, ESG ou segurança, quem paga a conta de um conselho ruim não é o palestrante.

  • É a organização.
  • São os trabalhadores.
  • É a comunidade.

Ao longo da minha carreira vivi fatalidades.

  • Investiguei acidentes graves.
  • Enfrentei derramamentos de óleo.
  • Vazamentos de gases.
  • Produtos químicos atingindo rios.
  • Crises ambientais.
  • Conflitos com comunidades.
  • Auditorias internacionais.
  • Nenhuma dessas experiências apareceu em um slide.

Mas foram elas que me ensinaram as lições mais importantes da minha profissão.

Talvez por isso eu só tenha me sentido realmente preparado para dar palestras e compartilhar conhecimento depois de décadas vivendo essas situações.

Fiz uma promessa para mim mesmo:

Nunca ensinar aquilo que eu nunca fiz na linha de frente.

Essa continua sendo a regra que orienta toda a minha atuação.

Antes de contratar um consultor ou palestrante, faça três perguntas simples:

✔️ Ele já executou aquilo que ensina?

✔️ Ele fala apenas de sucessos ou também compartilha seus erros e aprendizados?

✔️ Quando recebe uma pergunta difícil, responde com experiência… ou com mais um slide?

Porque existe uma diferença enorme entre conhecer o caminho…

…e já ter caminhado por ele.

Experiência não substitui o estudo.

Mas o estudo, sozinho, também não substitui a experiência.

É dessa combinação que nasce a verdadeira autoridade profissional.

Estamos juntos

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