Gestão em QSMS-RS e Sustentabilidade

Recém tinha ministrado uma palestra sobre gestão de risco e depois realizado um treinamento para um PAM (Plano de ajuda mutua) em um cluster de empresas frigorificas.

Em uma das minhas provocações ao grupo, perguntei se tinham incluído em sua matriz de risco vazamento de amônia alguns pontos como:

Se já tinham mapeados os stakeholders do entorno? Sabiam a direção do vento e suas simulações?

E outros pontos que as cicatrizes da vida profissional realmente me ensinaram a não esquecer ao elaborar a análise.

A pessoa que me convidou para tal evento ficou realmente incomodada!

Primeiro. que era um profissional de segurança com certa experiência na profissão.

E repetia várias vezes durante a palestras e treinamento que tinham tudo que eu mencionava sobre os pontos de atenção.

Tambem estavam presentes o corpo de bombeiros, empresa e emergência ambiental e ficaram calados e era nítido o desconforto.

Naquele momento percebi que nunca mais voltaria aquele lugar, paciência.

Consciência tranquila é o que realmente importa quando voce é chamado para passar uma mensagem baseado em sua vivencia e experiencia em gestão de crises e emergências.

E escutei uma frase que me marcou muito de um dos profissionais que participavam do evento.

“Você é muito exagerado, aqui não é o Estados Unidos nem Europa, não é necessário este estudo de primeiro mundo “.

Ao regresso ao aeroporto, começo a receber ligações de conhecidos e até de jornalistas.

Uma barragem se rompeu! O resto desta história voces já conhecem.

Depois, enchente no RJ, mais mortes e depois o acontecido no CT do meu Flamengo.

Comovido? Não muito, quando você passa por essas situações com uma certa frequência, acaba ficando mais racional.

Mas assistindo os programas de TV sobre o impacto sócio ambiental do rompimento da barragem em MG e como influenciou as vidas das pessoas e as consequências econômicas do desastre.

Realmente, mexeu, afinal já tinha passado por isso algumas vezes, mas não nessas dimensões.

E memorias ruins do meu passado envolvido em emergência voltaram como fantasmas atormentar.

De minha parte deu para sentir como as vidas destas pessoas foram afetadas, e decidi escrever um pouco a respeito da importância do profissional que participa de uma análise de risco sócio ambiental em projetos/empreendimentos e as consequências ser forem mal elaboradas.

No caso do rompimento da barragem em MG, quem tinha pouco ficou sem nada, quem tinha algo perdeu tudo, ou seja, o impacto econômico foi implacável.

Sim, desastres ambientais causam desastres econômicos!!!!!!

Vidas foram perdidas e vidas foram afetadas psicologicamente para sempre.

Quanto ao meio ambiente não vou mencionar, pois também não temos palavras para explicar as consequências do impacto.

Muito se fala das consequências financeiras das empresas envolvidas, mas e outros players que podem ser responsabilizados?

Quem elaborou a análise de risco sócio ambiental, por exemplo?

Instituições financeiras que emprestaram para desenvolvimento do empreendimento, instituições que deram as autorizações para o funcionamento e consultorias que prestaram serviços (são muitas) e por aí vamos.

Vão ser responsabilizados também, não tenham dúvidas.

Citando um bom exemplo de como funciona no mundo corporativo:

“Pôr conta do aumento da preocupação com a sustentabilidade das organizações, as instituições financeiras passaram a colocar na balança aspectos econômicos, ambientais e sociais antes de conceder o crédito.”

E isso vale tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas.

A corresponsabilidade no acontecimento envolve a muitos e mais uma vez alerto a nós gestores de sustentabilidade e QSMS-RS ao exercer sua profissão.

Quando assinarem suas ARTs a não se deixarem levar pela irresponsabilidade ao assumir trabalhos como licenciamento, laudos de emissões, suas análises de risco e etc., por exemplo.

Uma análise de risco socioambiental, não pode ser realizada por qualquer um, tem muito em jogo (vide os exemplos acima mencionados) e a responsabilidade é sem dúvida é enorme.

Como Diretor corporativo da área já tive de uma só vez 34 projetos sob nossa responsabilidade em diferentes continentes, para dar suporte e reportar ao Board os Kpis de Sustentabilidade e QSMS-RS.

Por mais que meu doutorado e pós doc. sejam sobre análise e gestao de risco socioambiental, não é o suficiente para prever tudo.

Uma vez envolvidos em novos projetos, aquisições ou fusões, a atenção de nossa equipe era toda voltada para as ” N ” possibilidades do que poderia acontecer nas análises de risco ou nas due diligence de aquisição.

Com o tempo ficamos escaldados(mas sempre tinha uma surpresa) em startups em projetos green field ou Brown Field ao realizar a análise de risco, pois já tínhamos muito mais erros do que acertos em nosso back log e isso nos dava uma visão ampliada do que poderia sair errado e estarmos preparados para ações de mitigação ou emergência.

Quando é um projeto green field se pode ainda mitigar muito os impactos socioambientais e/ou elaborar um ótimo plano de emergência, quando estes são previstos na análise de risco.

Mas quando é Brown field a atenção é maior, como por exemplo:

“Assumir uma planta industrial ou um site já em construção onde a comunidade está colada no seu muro (olhem a volta que vocês vão achar muitas situações como estas por aí) ou ao lado de um corpo d’água.”

Ainda recordo de um diretor que não aceitou muito bem, quando minha análise de risco concordou com a do banco e este, não quis emprestar o dinheiro para o empreendimento, ele ficou me olhando de lado por um bom tempo.

Estava realizando meu trabalho não poderia omitir afinal a responsabilidade são com os acionistas, comunidades, a vida dos colaboradores e o resultado do negócio.

Nestes anos todos na linha de frente em grandes projetos, se nós não utilizarmos nossa vivência da área em questão, gestão de lições aprendidas e gestão de impactos após acidentes e colocarmos em prática, de que servimos para a corporação?

A responsabilidade é grande de todos os players.

E garanto que nenhum acionista quer ver seu nome envolvido em grandes acidentes ambientais, independentemente do tamanho da atividade econômica.

Voltando ao título. Vale a pena?

Estamos juntos!

Publicado por Roberto Roche

Roberto Roche ao longo de três décadas consolidou sua experiência exercendo vários cargos de alta direção em QSMS–RS & Sustentabilidade nas áreas de Óleo & Gás, Construção Civil Pesada, Montagem Industrial, Portos e Mineração em mais de 15 países na América Latina, África e Oriente Médio como Mars, Queiroz Galvao Internacional e Odebrecht Internacional e Imerys .

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