CEO, Conselho de Administração: sua organização realmente sabe onde estão suas maiores emissões, desperdícios e ineficiências ao longo do ciclo de vida dos seus produtos?
Se a resposta não for objetiva, baseada em dados e evidências, existe um problema de gestão.
A Avaliação do Ciclo de Vida /ACV não deveria estar restrita à área ambiental ou de sustentabilidade.
Ela deveria estar na mesa da Diretoria Industrial, Operações, Suprimentos, Engenharia, Finanças, Estratégia e Conselho.
Por quê?
Porque uma ACV bem estruturada pode revelar:
- onde estão as maiores emissões de GHG;
- onde existem desperdícios de recursos;
- quais processos são ineficientes;
- quais matérias-primas geram maior impacto;
- onde existem oportunidades de inovação;
- quais investimentos podem gerar redução de emissões e eficiência;
e quais riscos podem comprometer a competitividade do negócio.
No setor industrial e, particularmente, no agronegócio sucroenergético, olhar apenas para a operação isoladamente é insuficiente.
É preciso enxergar a cadeia.
- Da matéria-prima ao produto final.
- Da energia utilizada às emissões.
- Do campo à indústria.
- Da produção à logística.
- Do uso ao fim de vida.
É aí que a ACV deixa de ser um relatório ambiental e passa a ser inteligência empresarial.
Tenho mais de 40 anos de experiência internacional trabalhando com gestão ambiental, riscos, processos e sustentabilidade, e desde 2020 atuo também no Brasil.
E minha experiência me ensinou algo simples:
Quando uma organização não conhece seus impactos, ela também não conhece completamente seus riscos.
E quando não conhece seus riscos, pode estar tomando decisões de investimento, compras, produção e inovação com informações incompletas.
Isso é particularmente relevante para organizações que buscam avançar em descarbonização, eficiência operacional e desempenho ESG, inclusive em avaliações de mercado como o EcoVadis.
Mas atenção:
ACV não deve ser feita para “ganhar uma medalha”.
Medalha é consequência.
O verdadeiro objetivo é utilizar informação confiável para reduzir GHG, melhorar processos, reduzir desperdícios, antecipar riscos e aumentar a competitividade.
A pergunta que CEOs e Conselhos deveriam fazer não é:
“Precisamos fazer uma ACV?”
A pergunta deveria ser:
“Quanto estamos deixando de enxergar por ainda não conhecer profundamente o ciclo de vida do nosso negócio?”
ACV não é custo ambiental.
É informação estratégica para proteger margem, capital, reputação e competitividade.
CONHECER. MEDIR. COMPARAR. REDESENHAR. REDUZIR.
E transformar sustentabilidade em resultado.
Estamos juntos