Mas, afinal, o que o mercado principalmente o financeiro realmente quer da minha organização?
Essa é uma pergunta que muitos empresários, CEOs, CFOs, conselheiros e profissionais de sustentabilidade ainda não conseguem responder com clareza.
Existe uma confusão entre Sustentabilidade, ESG, responsabilidade socioambiental, relatórios e certificações.
Mas vamos direto ao ponto:
O MERCADO FINANCEIRO NÃO QUER APENAS SABER SE SUA EMPRESA É SUSTENTÁVEL.
QUER SABER SE ELA ESTÁ PREPARADA PARA ADMINISTRAR OS RISCOS QUE PODEM COMPROMETER SEU FUTURO E SEUS RESULTADOS.
1. Sustentabilidade e ESG são a mesma coisa?
Não exatamente.
- SUSTENTABILIDADE: representa a capacidade de desenvolver atividades e gerar valor considerando os impactos econômicos, sociais e ambientais no longo prazo.
- ESG: é uma abordagem para identificar, avaliar, gerenciar e demonstrar como questões ambientais, sociais e de governança interferem nos negócios e em seus impactos.
- GESTÃO DE RISCOS ESG: transforma essas questões em decisões, controles, estratégias e proteção do negócio.
Em outras palavras:
Sustentabilidade é uma visão de desenvolvimento;
ESG é uma abordagem de gestão e avaliação de questões relevantes para a organização e seus stakeholders.
2. O que o mercado financeiro realmente procura?
Investidores, bancos, fundos de investimento, seguradoras e instituições financeiras querem respostas para questões muito objetivas:

Essa orientação está diretamente relacionada às normas IFRS S1 e IFRS S2, desenvolvidas pelo ISSB para atender às necessidades de investidores, financiadores e credores. IFRS Foundation
3. Por que a MATERIALIDADE é tão importante?
Porque sua empresa não consegue administrar tudo com a mesma prioridade.
Precisa identificar o que realmente importa.
Existem dois olhares fundamentais:
MATERIALIDADE DE IMPACTO
- O que minha organização causa à sociedade e ao meio ambiente?
MATERIALIDADE FINANCEIRA
- O que pode acontecer no ambiente externo e afetar os resultados, o fluxo de caixa, o acesso ao capital e o valor da organização?
A integração desses dois olhares constitui a DUPLA MATERIALIDADE.
Atenção: IFRS S1 e S2 possuem foco na materialidade financeira.
A dupla materialidade também contempla a perspectiva dos impactos da organização sobre pessoas e meio ambiente. IFRS Foundation
4. O que sua organização precisa fazer na prática?
Minha recomendação é trabalhar com uma sequência lógica:
- Diagnóstico de maturidade ESG.
- Mapeamento de stakeholders.
- Identificação e avaliação da materialidade.
- Identificação dos riscos e oportunidades ESG.
- Avaliação das barreiras e controles utilizando BOW TIE.
- Indicadores e informações de GEE.
- Gestão dos riscos climáticos.
- Governança, monitoramento e prestação de contas.
- Relatórios confiáveis, com informações baseadas em evidências.
É importante compreender que RELATÓRIO ESG NÃO É GESTÃO ESG.
Um relatório pode apresentar excelentes indicadores e, ao mesmo tempo, esconder deficiências importantes na gestão dos riscos.
5. Uma pergunta para CEOs, CFOs e Conselhos de Administração:
SE UM BANCO OU FUNDO DE INVESTIMENTO SOLICITAR HOJE EVIDÊNCIAS SOBRE OS RISCOS ESG DA SUA ORGANIZAÇÃO, VOCÊ CONSEGUIRÁ DEMONSTRAR:
- Quais são seus riscos materiais?
- Como são avaliados?
- Quem responde por eles?
- Quais barreiras existem?
- Como você monitora sua eficácia?
- Quais impactos financeiros podem provocar?
- Qual é a estratégia para evitar perdas e proteger o negócio?
Se não conseguir responder, existe uma lacuna de gestão que precisa ser enfrentada.
Minha visão após mais de 40 anos de experiência internacional em cinco continentes:
Não se trata de escolher entre ser sustentável ou ser ESG.
Trata-se de compreender que SUSTENTABILIDADE SEM GESTÃO DE RISCOS, ESG SEM MATERIALIDADE E RELATÓRIOS SEM EVIDÊNCIAS NÃO PROTEGEM UMA ORGANIZAÇÃO.
O mercado financeiro quer confiança, transparência, governança, previsibilidade e capacidade de administrar riscos que possam comprometer o futuro do negócio.
E isso exige muito mais do que produzir um relatório bonito ou conquistar um selo.
Estamos juntos