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Gestão de riscos materiais em parques solar, por onde começar?

“O risco não desaparece com narrativa. Desaparece com gestão.”

No contexto de um parque solar, isso é especialmente importante.

 Não adianta a empresa ter uma política impecável, apresentações bonitas, treinamentos registrados ou um Plano de Emergência arquivado se, quando ocorre um incêndio, ninguém sabe exatamente quem decide, quem desliga, quem evacua, quem comunica o Corpo de Bombeiros e quais áreas não podem ser acessadas.

O que significa “gestão” na prática?

1. Identificar os cenários materiais

Não basta dizer “há risco de incêndio”. É preciso perguntar:

  • Incêndio em módulo fotovoltaico?
  • Arco elétrico em cabos?
  • Falha em inversor?
  • Incêndio em transformador?
  • Incêndio na subestação?
  • Incêndio em bateria BESS?
  • Fogo no canavial ou vegetação atingindo os painéis?
  • Incêndio simultâneo com perda de comunicação ou acesso?

2. Definir barreiras preventivas e mitigadoras

Aqui entra muito bem a metodologia Bow Tie: de um lado, as causas; no centro, o evento crítico; do outro, as consequências.

E o mais importante: cada barreira precisa ter dono, critério de desempenho, inspeção e teste.

3. Transformar o plano em capacidade operacional

Um Plano de Emergência não pode ser apenas um documento.

A equipe precisa saber:

ALARME → COMUNICAÇÃO → DESLIGAMENTO → ISOLAMENTO → EVACUAÇÃO → ACIONAMENTO DO 193 → APOIO AO COMANDO DA OCORRÊNCIA.

E isso precisa ser exercitado.

4. Treinar para o cenário real

Treinamento de sala de aula é importante, mas não é suficiente.

Eu faria, para uma fazenda solar, pelo menos exercícios envolvendo:

  • incêndio em vegetação próximo aos módulos;
  • incêndio em inversor;
  • emergência na subestação;
  • perda de energia/comunicação;
  • acesso de viaturas ao parque;
  • identificação dos pontos de desligamento;
  • integração entre operação, segurança patrimonial, brigada e Corpo de Bombeiros.

E existe uma diferença fundamental

Ter um treinamento não significa estar preparado.

Estar preparado significa conseguir responder corretamente sob pressão, com fumaça, calor, comunicação incompleta, perda de energia e pessoas tomando decisões simultaneamente.

É aí que entra a experiência de campo.

Depois de décadas trabalhando com gestão de riscos, emergência, crise e continuidade de negócios, minha visão é bastante direta:

risco crítico não se administra com documentos.
Administra-se com barreiras funcionando, pessoas preparadas, liderança clara e exercícios que comprovem a capacidade de resposta.

E essa lógica vale para fazendas solares, eólicas, usinas sucroenergéticas, mineração, agronegócio e indústria.

No fim, a pergunta que eu faria ao CEO e ao Conselho é:

“Se o incêndio começar hoje às 14h30, sua empresa sabe exatamente o que fazer nos primeiros 15 minutos?”

Se a resposta depender de alguém “procurar o procedimento”, o risco ainda não está gerenciado.

Estamos juntos

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