Em operações de fusões e aquisições (M&A), normalmente a atenção está concentrada em indicadores financeiros, valuation, aspectos tributários e questões jurídicas.
Entretanto, existe um fator que pode destruir valor mesmo após uma negociação aparentemente perfeita: os riscos socioambientais ocultos.
Tenho acompanhado essa realidade há mais de 40 anos.
Minha carreira começou na indústria de petróleo offshore, no Mar do Norte, em uma época marcada por grandes acidentes industriais que mudaram para sempre a forma como o mundo enxerga a gestão de riscos.
Trabalhei em operações de alto risco, participei de auditorias, avaliações de integridade operacional, gestão ambiental e desenvolvimento de barreiras preventivas muito antes da sigla ESG existir.
Hoje, no Brasil, tenho aplicado toda essa experiência em processos de due diligence de ativos industriais, energéticos, logísticos, postos de combustíveis, TRRs, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), instalações portuárias e outros empreendimentos que apresentam passivos ambientais e riscos operacionais relevantes.
O objetivo deixou de ser apenas identificar não conformidades.
O verdadeiro papel da due diligence moderna é responder uma pergunta estratégica:
**”Quais riscos podem comprometer o valor do ativo após a aquisição?”**
Essa resposta envolve muito mais do que verificar licenças ambientais.
É preciso compreender profundamente:
- passivos ambientais existentes e potenciais;
- riscos de contaminação do solo e das águas subterrâneas;
- estabilidade de barragens, diques e sistemas de contenção;
- integridade das instalações industriais;
- maturidade da gestão de riscos operacionais;
- conformidade com requisitos legais e regulatórios;
- exposição das comunidades vizinhas;
- impactos sobre biodiversidade e recursos hídricos;
- governança, cultura de segurança e capacidade de resposta a emergências.
Em muitos projetos que avaliamos, o maior risco não é aquilo que aparece nos documentos.
É justamente aquilo que nunca foi identificado.
- Um tanque sem contenção adequada.
- Uma drenagem industrial comprometida.
- Equipamentos críticos operando sem inspeções confiáveis.
- Planos de emergência desatualizados.
- Ausência de barreiras físicas para evitar um grande acidente ambiental.
São detalhes que podem representar milhões de reais em investimentos corretivos após o fechamento da operação.
Ou pior.
Podem resultar em acidentes com impacto sobre pessoas, meio ambiente, comunidades e reputação da empresa adquirente.
É nesse momento que a experiência prática faz toda a diferença.
Após mais de quatro décadas trabalhando diretamente com operações industriais de alto risco, aprendi que uma due diligence eficiente não se limita a um checklist.
Ela exige olhar crítico, conhecimento técnico multidisciplinar e capacidade de conectar engenharia, meio ambiente, segurança de processos, ESG, gestão de ativos e governança corporativa.
É exatamente essa visão integrada que buscamos entregar na Roberto Roche & Associados.
Nossa abordagem vai além da identificação de passivos.
Avaliamos a maturidade da gestão de riscos da organização utilizando metodologias reconhecidas internacionalmente, como o BOW TIE, análise de barreiras críticas, avaliação de controles preventivos e mitigatórios, integridade operacional, gestão de ativos e indicadores ESG.
O objetivo é permitir que investidores, fundos de investimento, bancos, empresas compradoras e Conselhos de Administração tenham uma visão clara dos riscos reais do ativo antes da decisão de investimento.
No cenário atual, em que sustentabilidade, governança e criação de valor caminham lado a lado, a due diligence socioambiental deixou de ser uma etapa de conformidade.
Ela tornou-se uma ferramenta estratégica para proteger investimentos, preservar reputação e garantir a longevidade dos negócios.
Depois de mais de 40 anos atuando em ambientes industriais complexos ao redor do mundo, continuo acreditando na mesma premissa que norteou toda a minha carreira:
**O melhor acidente/evento é aquele que nunca acontece. **
E a melhor aquisição é aquela em que todos os riscos relevantes já foram compreendidos antes da assinatura do contrato.
Estamos juntos