E o que não é medido pode comprometer reputação, capital, confiança e capacidade de decisão.
Não estamos falando de uma agenda periférica.
Dados disponibilizados pelo Portal da Transparência abrangem R$ 1,25 trilhão em renúncias fiscais entre 2015 e 2024.
Em 2022 e 2023, segundo o TCU, novas desonerações somaram impacto estimado de R$ 415,8 bilhões até 2026.
Quando os valores são dessa magnitude, impacto e governança deixam de ser temas institucionais e passam a ser temas de negócio.
Para a alta liderança, aprovar o projeto e comprovar a aplicação dos recursos não basta.
O Conselho precisa saber:
O investimento gera o impacto prometido, os riscos estão sob controle e as evidências resistem ao escrutínio de investidores, auditorias, órgãos de controle e comunidades?
Sem respostas objetivas, a organização transforma premissas em relatórios, decisões de investimento e compromissos ESG.
O risco é duplo:
Continuar financiando iniciativas de baixa efetividade e descobrir tarde demais que a narrativa pública não é sustentada por evidências.
O mercado já precifica essa capacidade.
Na Pesquisa Global com Investidores 2024 da PwC, quase 90% dos investidores no Brasil e no mundo afirmaram que a agilidade de uma empresa para administrar crises influencia suas decisões de investimento.
Cerca de três quartos disseram que ampliariam investimentos em empresas com ações climáticas específicas.
A mensagem é clara: gestão comprovável de riscos e impactos influencia confiança e alocação de capital.
Atividades realizadas não são sinônimo de resultados alcançados.
Participantes, oficinas, eventos e valores investidos demonstram execução.
Para demonstrar valor, é preciso comprovar mudança social, retorno econômico, redução de vulnerabilidades ou benefício ambiental e relacionar esses resultados aos riscos e objetivos estratégicos da empresa.
Uma governança que protege a decisão executiva conecta:
INVESTIMENTO → IMPACTO ESPERADO → RISCO → CRITÉRIO → EVIDÊNCIA → RESULTADO → DECISÃO → RESPONSÁVEL → PRAZO
Esse encadeamento transforma informação dispersa em capacidade de decisão.
Permite comparar projetos, priorizar recursos, interromper iniciativas de baixa efetividade, corrigir desvios e demonstrar porque determinado investimento deve continuar, mudar ou ser encerrado.
Due Diligence, nesse contexto, não é custo burocrático.
É uma disciplina de alocação de capital e proteção de valor.
Reduz assimetria de informação, revela fragilidades antes que virem contingências e oferece à liderança uma base defensável para decidir.
O TCU mantém a transparência e a efetividade das renúncias tributárias em sua Lista de Alto Risco e aponta fragilidades recorrentes de formulação, monitoramento e governança.
Para Conselho, CFO e liderança de ESG, isso eleva o padrão de diligência: não basta demonstrar conformidade; é preciso provar efetividade.
Se há recurso incentivado, a governança não é opcional.
É uma condição para proteger valor e sustentar decisões.
A pergunta para a próxima reunião executiva é simples: sua empresa consegue demonstrar, com evidências, quais projetos geram impacto, que concentram risco e onde cada real incentivado produz mais valor?
Estamos juntos