Gestão em QSMS-RS e Sustentabilidade

 Realizando due diligence socioambiental, ou “Auditoria Ambiental “para aquisição de ativos, as vezes parece surreal o que nós flagramos.

Anos e anos realizando para os fundos de investimento e organizações quando gestor.

Depois de tanto apanhar (aprenda com meus erros), os olhos vão ficando treinados e nosso check List assusta para os colegas que trabalham nas empresas que estão passando pelo processo.

Uma vez na área a ser adquirida, nada como ter muitas horas na trincheira para ir buscar as informações.

A foto acima, é um típico exemplo de empresa que ao chegar já foi dizendo que tinha as ISO etc. e que lá era isso ou aquilo.

Comecei pelo fundo da operação e …. a bela foto acima e o lado o líder da comunidade me esperando!

E vida que segue.

Não importa o tamanho da atividade econômica que se exerça o temor das empresas com a gestão de resíduos principalmente de depois da política nacional sobre os resíduos aumentou a preocupação com a exposição ao risco ambiental.

Quando entregamos resíduos ainda mais os considerados perigosos, para destinação final correta a uma empresa de coleta e tratamento podemos estar expostos a riscos se estes não receberem tratamento adequado por parte destas.

A responsabilidade pelos danos ambientais é objetiva, ou seja, não há espaço para a discussão de culpa, bastando à comprovação da atividade e o nexo causal com o resultado danoso.

E tal responsabilização encontra fundamento desde 1981 na Lei 6.938/81, que adotou a Teoria do Risco e a responsabilização objetiva no que concerne aos danos eventualmente causados ao meio ambiente.

A quantidade de resíduos perigosos como exemplo, os produzidos pelos portos, estaleiros, bases e em toda cadeia de óleo e gás é um mercado de alguns bilhões de dólares a ser explorado e no Brasil são muito poucas empresas habilitadas para operar no imenso território em que se espalham essas operações.

A falta de uma gestão correta de quem coleta, transporta, recebe e trata o resíduo pode esconder a deficiência em operar de maneira adequada, por exemplo: Falta de licença ambiental para coletar, transportar, tratar, armazenar, enviar para aterro industrial ou co processar.

Nas licenças ambientais estão bem especificados esses pontos.

É fundamental que a equipe responsável de meio ambiente verifique estes pontos, quanto à contratação.

Outro bom exemplo seria a falta de gerenciamento das estações de tratamento de resíduos líquidos, se não forem operadas corretamente, passam a serem monumentos só para serem admirados, sendo a funcionalidade nula.

Em todos os exemplos a exposição das empresas ao risco ambiental é grande.

Gestores de QSMS-RS e Sustentabilidade tem grande responsabilidade perante as partes interessadas, a necessidade de estarem alerta a todas as exigências as conformidades de nossa área, nem sempre é o suficiente, a simples desatenção em cumprir um requisito legal ou exigência do cumprimento da certificação, pode vir acarretar grande perdas financeiras tanto na parte administrativa como legal.

A falta de um gerenciamento de risco socioambiental nas empresas coletoras e tratadoras de resíduos perigosos resulta em uma série de eventos que podem ir desde contaminação dos funcionários que manuseiam os produtos como também ao solo, lençol freático e mesmo a vizinhança.

Nesta situação, a área contaminada terá que ser remediada, gerando grandes indenizações, enfim, tem-se um caso clássico de passivo ambiental, onde enormes prejuízos financeiros quase sempre estão presentes.

Quem enviou resíduo para o local tem grande chance de ser convidado a dividir a conta!

Acredito ser de grande importância à realização auditorias periódicas nessas empresas que oferecem estes serviços na tentativa de tomar conhecimento de como é realizada a gestão destes riscos.

É muito importante ter clareza nos objetivos destas auditorias, pois auditar e avaliar sem conhecimento específico no assunto pode criar uma falsa noção de que está tudo bem.

Essas auditorias têm características próprias e devem ser observados alguns pontos que vão muito mais além da parte ambiental, pois o objetivo é proteger a empresa contra quem não possui a mínima condição de realizar o serviço.

Como por exemplo: A idoneidade financeira, a empresa pode ter uma situação ambiental adequada, mas podem fazer com que o resíduo coletado não seja tratado de maneira correta por problemas financeiros.

E quem vai responder por isso depois?

É importante para uma boa gestão de Sustentabilidade, saber a quem enviar seus resíduos perigosos e como são coletados, transportados e tratados.

Pois no final das contas qualquer ação equivocada neste processo pode vir a arranhar a imagem da empresa e arruinar todo um trabalho voltado para Sustentabilidade.

É inquestionável que se trata de uma atividade que envolve riscos. O correto gerenciamento destes riscos é de interesse fundamental de quem envia e claro de quem trata.

E sem dúvida, este correto gerenciamento de risco vai definir as empresas que continuam ou não no mercado.

Estamos juntos

Publicado por Roberto Roche

Roberto Roche ao longo de três décadas consolidou sua experiência exercendo vários cargos de alta direção em QSMS–RS & Sustentabilidade nas áreas de Óleo & Gás, Construção Civil Pesada, Montagem Industrial, Portos e Mineração em mais de 15 países na América Latina, África e Oriente Médio como Mars, Queiroz Galvao Internacional e Odebrecht Internacional e Imerys .

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