Ao longo dos últimos anos, primeiro como executivo internacional e agora como consultor, tive a oportunidade de responder aos principais processos de avaliação ESG do mercado: CSA (S&P Global), CDP, EcoVadis, SMETA e SBTi.
Depois de participar de todos eles, uma conclusão ficou evidente:
Cada avaliação possui um objetivo diferente, um público diferente e exige uma preparação completamente distinta.
É justamente nesse ponto que muitas empresas perdem pontuação.
Não por falta de boas práticas, mas porque apresentam evidências inadequadas, indicadores incompletos ou uma governança que ainda não demonstra maturidade suficiente.
CSA – S&P Global
O Corporate Sustainability Assessment (CSA), criado em 1999, é hoje uma das avaliações ESG mais influentes do mundo.
Em 2025, mais de 3.600 empresas participaram do processo, representando aproximadamente metade da capitalização do mercado global.
A avaliação é altamente setorial e analisa aspectos como:
- Governança corporativa;
- Gestão de riscos;
- Estratégia ESG;
- Capital humano;
- Resiliência do negócio;
- Desempenho ambiental.
O CSA não procura apenas políticas escritas.
Ele exige evidências claras de implementação, monitoramento, indicadores, auditorias internas, metas e accountability.
Além disso, é a principal porta de entrada para o Dow Jones Sustainability Index (DJSI) e para mais de 200 índices de sustentabilidade administrados pela S&P Dow Jones Índices.
Para empresas listadas ou que buscam investidores institucionais, um bom desempenho no CSA pode aumentar significativamente sua visibilidade no mercado de capitais.
CDP
O CDP tornou-se a principal referência mundial para divulgação de informações relacionadas às mudanças climáticas.
Além do clima, avalia também:
- Recursos hídricos;
- Florestas;
- Segurança da cadeia de suprimentos.
O foco está em demonstrar capacidade de gestão dos riscos ambientais através de:
- Inventário de emissões consistente;
- Metas baseadas na ciência;
- Governança climática;
- Gestão de riscos físicos e de transição;
- Transparência das informações.
Outro diferencial importante é o CDP Supply Chain, utilizado por grandes compradores para avaliar a maturidade ambiental de seus fornecedores.
EcoVadis
O EcoVadis consolidou-se como o principal rating ESG para cadeias globais de fornecimento.
Atualmente reúne mais de 175 mil empresas avaliadas em mais de 180 países.
Sua metodologia está alinhada a referências internacionais como:
- Pacto Global da ONU;
- GRI;
- ISO 26000.
Embora muitas perguntas sejam semelhantes às do CSA, seu objetivo é diferente.
O EcoVadis procura verificar se a empresa possui processos robustos nas áreas de:
- Meio ambiente;
- Direitos Humanos;
- Ética;
- Compras Sustentáveis.
Na prática, tornou-se um requisito de homologação para fornecedores de inúmeras empresas multinacionais.
SMETA
O SMETA (Sedex Members Ethical Trade Audit) não é um rating ESG, mas uma das auditorias de responsabilidade social mais reconhecidas no comércio internacional.
Seu foco está na verificação das condições reais de operação das empresas, especialmente em temas como:
- Saúde e segurança ocupacional;
- Direitos trabalhistas;
- Condições de trabalho;
- Ética empresarial;
- Meio ambiente.
Diferentemente de avaliações documentais, o SMETA envolve auditorias presenciais, entrevistas com colaboradores, inspeções em campo e verificação prática da conformidade.
Para empresas exportadoras e integrantes de cadeias globais de fornecimento, sua importância cresce a cada ano.
SBTi
A Science Based Targets initiative (SBTi) também não é um rating.
Ela valida se as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa estão realmente alinhadas com a ciência climática e com os objetivos do Acordo de Paris.
Na prática, exige que a organização demonstre:
- Inventário robusto de emissões;
- Metodologia reconhecida;
- Metas de curto e longo prazo;
- Plano consistente de descarbonização;
- Monitoramento contínuo.
Cada vez mais investidores, clientes e instituições financeiras utilizam a aprovação da SBTi como um indicador de credibilidade climática.
Então, qual é o mais importante?
A resposta é simples:
Depende da estratégia da organização.
- Se o foco é mercado financeiro e investidores, o CSA possui enorme relevância.
- Se o objetivo é transparência climática, o CDP é praticamente obrigatório.
- Se a empresa atua em cadeias globais de fornecimento, o EcoVadis tornou-se um padrão de mercado.
- Se o desafio envolve responsabilidade social e conformidade na cadeia produtiva, o SMETA é um dos referenciais mais reconhecidos.
- Se a prioridade é credibilidade na estratégia de descarbonização, a SBTi é hoje uma das principais referências mundiais.
Nenhum deles substitui o outro.
Eles se complementam.
O verdadeiro desafio não está em responder questionários.
Está em construir uma governança capaz de produzir evidências confiáveis, indicadores consistentes e informações que resistam ao escrutínio de investidores, clientes, auditores e demais stakeholders.
É exatamente nesse ponto que a preparação faz toda a diferença.
Mais do que apoiar o preenchimento de formulários, um trabalho técnico consistente envolve diagnóstico, estruturação de evidências, fortalecimento da governança, definição de indicadores e construção de uma narrativa alinhada às melhores práticas internacionais.
Na Roberto Roche & Associados temos apoiado organizações nesse processo, preparando empresas para responder de forma estratégica aos principais ratings e avaliações ESG do mercado, transformando requisitos em oportunidades de competitividade, acesso a mercados e geração de valor.
E a sua organização?
Ela já participa de algum desses processos ou ainda está estruturando sua jornada ESG?
Segue um quadro para sua comparação e compreensão
Comparativo Executivo dos Principais Ratings e Avaliações ESG

Cada uma dessas avaliações responde a expectativas diferentes dos stakeholders.
- Investidores analisam principalmente CSA e CDP para compreender a maturidade da governança, da gestão de riscos e da estratégia climática.
- Grandes clientes e cadeias globais de suprimentos costumam utilizar EcoVadis e SMETA como critérios de homologação e permanência de fornecedores.
- Instituições financeiras, investidores e mercados internacionais observam a aprovação da SBTi como um forte indicativo da credibilidade da estratégia de descarbonização da organização.
A visão do Conselho de Administração
Para Conselhos de Administração e Comitês de Auditoria, a pergunta deixou de ser:
“Qual rating devemos responder?”
A pergunta estratégica passou a ser:
“Nossa governança ESG é suficientemente madura para atender, de forma consistente, às diferentes expectativas de investidores, clientes, financiadores, reguladores e demais stakeholders?”
Organizações de alta performance não estruturam seus processos para responder questionários. Elas desenvolvem uma governança integrada, indicadores confiáveis, gestão de riscos robusta e controles eficazes que permitem atender simultaneamente às exigências de múltiplos ratings e avaliações.
É essa maturidade que diferencia empresas que apenas cumprem requisitos daquelas que transformam ESG em vantagem competitiva, acesso a mercados, redução do custo de capital e geração sustentável de valor.
Na minha experiência, acrescentaria ainda uma última reflexão para executivos:
“O maior erro das organizações é tratar CSA, CDP, EcoVadis, SMETA e SBTi como projetos independentes.
Organizações maduras constroem um único sistema de governança, gestão de riscos, indicadores e evidências capaz de atender simultaneamente aos diferentes frameworks.
É essa integração que reduz custos, evita retrabalho, aumenta a consistência das informações e eleva o desempenho em todas as avaliações ESG.”
Estamos juntos