Gestão em QSMS-RS e Sustentabilidade

A história se repete com bastante frequência;

Uma empresa, inconformada com seus resultados em segurança, decide iniciar um programa para o desenvolvimento da cultura de toda a companhia.

Com um diagnóstico em mãos, decide implementar as ações sugeridas pela consultoria e coloca como meta avançar em um nível de cultura em dois anos.

Parece atingível, todos estão muito motivados.

Na devolutiva do diagnóstico, discute-se com o CEO e demais executivos sobre os ajustes que precisam ser feitos;

Não faz sentido bonificar apenas a produção, os C-level precisam inserir segurança em suas falas e, mais do que isso, demonstrar compromisso com o tema.

Acerta-se reuniões bimensais com o board para falar sobre o programa.

A abertura do grupo foi ótima, o gerente de QSMS -RS & Sustentabilidade tem certeza que todos irão aderir às novas orientações.

O programa começa a ser implementado;

A área de comunicação vira parceira e desenvolve uma estratégia para que todos saibam e compreendam a mudança pela qual a empresa irá passar, temos reuniões frequentes com RH para pensar a melhor forma de desenvolver as competências de segurança na companhia e a implementação do programa é realmente a prioridade nº1 da equipe de segurança.

Entretanto, está sendo difícil achar agenda para falar com algumas lideranças da companhia e decide-se começar a sensibilizar sobre o tema a partir do nível de gerência… Diretoria ficará para um outro momento.

As reuniões bimensais com o board ocorrem com falhas: Ora acontecem, ora não, e muitos executivos faltam meus colegas com certeza já viram esse filme

Por falta de tomada de decisão estratégica, algumas escolhas que vão além do QSMS-RS & Sustentabilidade e permeiam outras áreas não são feitas e o programa passa a funcionar apenas dentro dos limites da área de segurança.

Bingo: O programa naufragou.

É possível discutir melhorias de ferramentas, executar treinamentos e implementar campanhas de comunicação, mas as decisões estratégicas, que liberam investimentos, definem KPIs e propõem um novo modo de ser não serão tomadas.

Para mudar a cultura de segurança de uma empresa é necessário ir além e mexer em toda sua cultura, e isso nunca é fácil.

Para uma cultura de segurança realmente se desenvolver é necessário que arestas que não estão dentro do escopo do QSMS-RS & Sustentabilidade sejam ajustadas e isso requer disponibilidade da companhia como um todo, não apenas da área de segurança ou da diretoria na qual está inserida.

É impossível evoluir em segurança (de forma sustentável e duradoura) sem que o CEO esteja envolvido, seja o grande patrocinador do programa e valide o novo modus operandi, onde segurança passará a ser um valor.

Com essa nova forma de funcionar posta pelo CEO, todos os outros executivos terão que se adaptar e a area de QSMS-RS & Sustentabilidade será o suporte para a transformação.

Entretanto, se não for assim o escopo da mudança fica bastante restrito e dificilmente chegará à cultura da companhia de fato, tendo um limite difícil de ser ultrapassado. Esse limite nem sempre é visto de forma clara, mas certamente está lá.

Assim, antes de iniciar a implementação de um programa para o desenvolvimento de cultura de segurança, é importantíssimo avaliar quais são os principais patrocinadores do programa, qual o nível hierárquico que estão inseridos, seu poder de influência e, se for o caso, trabalhar construindo alianças para chegar em um nível estratégico antes de iniciar ações de desenvolvimento.

Estamos juntos!

Publicado por Roberto Roche

Roberto Roche ao longo de três décadas consolidou sua experiência exercendo vários cargos de alta direção em QSMS–RS & Sustentabilidade nas áreas de Óleo & Gás, Construção Civil Pesada, Montagem Industrial, Portos e Mineração em mais de 15 países na América Latina, África e Oriente Médio como Mars, Queiroz Galvao Internacional e Odebrecht Internacional e Imerys .

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