Bancos , Fundos de Investimento e Investidores brasileiros têm reduzido seus aportes em determinados ativos devido ao desempenho insatisfatório em critérios ESG (Ambiental, Social e Governança).
Dados da Anbima mostram que 38% das gestoras já deixaram de investir em ativos por conta de resultados considerados inadequados nesses critérios, conforme revelado na pesquisa “Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais”.
Segundo representante da Anbima, instituições de maior porte têm vantagens nesse processo, pois contam com equipes dedicadas e conseguem integrar o ESG de forma mais profunda aos seus processos internos.
Já as gestoras menores enfrentam desafios como custos adicionais, necessidade de contratação e equilíbrio com outras prioridades do negócio.
A maioria das gestoras brasileiras está incorporando práticas ESG, sendo que 55% possuem políticas formais de investimento responsável.
Nos grupos considerados onde Nivel da maturidade ESG esta mais estruturado , esse percentual chega a 95%.
Além disso, 56% possuem alguma estrutura dedicada ao tema e 78% consideram aspectos ESG nas decisões de investimento.
A principal razão para a adoção dos critérios ESG é a gestão de riscos dos seus impactos socioambientais , apontada por 51% das instituições.
Outros motivos incluem decisão institucional (26%), dever fiduciário (12%) e busca por oportunidades de maior retorno (6%).
O dado de 38% das gestoras que deixaram de investir por questões ESG demonstra uma postura alinhada à gestão de riscos e não necessariamente um ativismo, já que o ESG impacta diretamente a precificação dos ativos e a composição dos portfólios.
Isso requer dados, relatórios transparentes e um arcabouço regulatório robusto.
Entre os principais riscos considerados pelas gestoras, destacam-se os relacionados à governança: transparência (88%), ética (87%) e segurança da informação e privacidade de dados (76%).
O avanço das práticas ESG nas gestoras brasileiras não apenas reflete uma preocupação crescente com riscos socioambientais, mas também uma busca por maior competitividade e reputação no mercado.
Diversas instituições têm investido em capacitação interna e na adaptação de processos para atender às exigências regulatórias e às expectativas de investidores cada vez mais atentos ao impacto de suas escolhas financeiras.
Além disso, a adoção de critérios ESG tem impulsionado a inovação em produtos e serviços, como fundos temáticos e títulos vinculados à sustentabilidade, que oferecem novas oportunidades de investimento.
O cenário atual indica que, apesar dos desafios enfrentados, o setor está em constante evolução, incorporando novas ferramentas de avaliação e métricas para mensurar resultados, o que contribui para a consolidação de práticas responsáveis e transparentes no mercado financeiro brasileiro.
Questões ambientais, como gestão de resíduos (62%), mudanças climáticas (59%) e biodiversidade e uso do solo (49%), aparecem em seguida, evidenciando uma curva natural de aprendizado e incorporação desses temas pelo mercado.
A agenda de governança é tradicionalmente mais consolidada, enquanto riscos ambientais e sociais são abordados mais recentemente, exigindo novas métricas e formas de mensuração.
O aumento do percentual de atenção às mudanças climáticas é interpretado como um sinal positivo de evolução.
Apesar das mudanças de contexto, a agenda ESG permanece relevante e consistente quanto a preocupação dos seus riscos perante ao ROI e a perenidade do negocio
As principais estratégias adotadas pelas gestoras incluem filtros negativos (46%), que eliminam setores ou empresas de investimentos, e o modelo “best in class” (41%), que prioriza os melhores desempenhos de cada segmento.
Estratégias mais sofisticadas, como filtros positivos (22%) e integração do ESG à avaliação de ativos (21%), ainda são menos comuns, refletindo o estágio de maturidade e capacidade operacional das instituições.
De acordo com a Anbima, existe uma evolução natural, em que as instituições começam excluindo riscos mais evidentes, depois selecionam os melhores da categoria e, com o tempo e mais estrutura, avançam para a integração completa dos critérios ESG.
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