Quando somos contratados para ajudar na obtenção do selo, encontramos pequenos equívocos que pretendo mencionar a seguir e, dividir nossa experiência de como melhor trabalhar para o sucesso da jornada.
A maioria das organizações aborda a avaliação EcoVadis da mesma forma .
Reúnem toda a documentação de sustentabilidade que conseguem encontrar, percorrem o questionário e torcem para dar certo.
O resultado quase sempre é o mesmo: corrida de última hora atrás de evidências, políticas redigidas às pressas e uma pontuação que não reflete o que a empresa realmente faz.
Existe uma forma melhor: a análise de lacunas (gap analysis).
Uma análise de lacunas EcoVadis é uma revisão sistemática da sua gestão de sustentabilidade antes de iniciar o questionário oficial.
O objetivo não é compilar documentos. É identificar o que ainda não está coberto enquanto ainda há tempo para agir.
Pense como um check-up pré-avaliação, focado em uma única pergunta:
“Onde ainda não estamos prontos e o que precisamos fazer?”
Dois motivos: pressão de tempo ou a ilusão de que “já temos a maior parte coberta”.
Ambos são erros caros.
Sem a análise de lacunas, você passa mais tempo dentro da avaliação procurando documentos, correndo atrás de colegas e descobrindo tarde que políticas críticas não existem ou não atendem aos padrões da EcoVadis.
Há um problema ainda mais silencioso: muitas organizações têm práticas sólidas de sustentabilidade, mas carecem da documentação formal que a EcoVadis exige.
O que não está documentado efetivamente não existe.
A análise de lacunas revela exatamente esse tipo de descompasso e dá tempo para corrigir.
O processo em 7 passos
1. Entenda os 21 critérios EcoVadis
A EcoVadis avalia em quatro temas:
- Meio Ambiente (9 critérios)
- Trabalho e Direitos Humanos (7 critérios)
- Ética (3 critérios)
- Aquisição Sustentável (2 critérios)
Para cada critério, a avaliação busca três níveis de evidência: políticas (compromissos formais), ações (programas implementados) e resultados (KPIs mensuráveis).
Uma empresa com políticas, mas sem evidência de implementação, quase sempre pontua menos do que uma que demonstra os três níveis.
2. Faça um inventário de evidências
Reúna tudo que já existe sem julgamentos de qualidade nessa fase:
- Política Ambiental, Código de Conduta, Política de Direitos Humanos
- Código de Conduta para Fornecedores, Política de Saúde e Segurança
- Registros de treinamento, dados de emissões, consumo de energia e água
- Relatórios de sustentabilidade, auditorias internas, métricas de diversidade
3. Mapeie as evidências pelos critérios
Para cada um dos 21 critérios, faça três perguntas:
- Temos uma política formal?
- Temos evidências de implementação?
- Temos resultados ou KPIs mensuráveis?
Crie uma tabela simples. Um semáforo (verde / amarelo / vermelho) funciona muito bem aqui.
4. Categorize as descobertas
- Totalmente coberto → nenhuma ação necessária
- Parcialmente coberto → trabalho direcionado antes da submissão
- Não coberto → lacunas de alta prioridade, entram direto no plano de ação
5. Priorize o que mais impacta
Nem todas as lacunas têm o mesmo peso. Priorize as que:
- Afetam múltiplos critérios (ex.: ausência de Código de Conduta impacta Ética e Direitos Humanos)
- Envolvem documentos fundamentais (como um relatório de sustentabilidade)
- Exigem tempo de maturação para serem críveis
Lacunas de alta prioridade costumam ser: Código de Conduta, Política Ambiental, Política de Direitos Humanos, Código para Fornecedores e governança de sustentabilidade.
6. Crie um plano de ação corretiva
Descobertas sem próximos passos não têm valor.
Converta a análise em um plano com responsáveis, prazos e clareza sobre quem faz o quê. Revise o progresso semanalmente — é melhor ajustar cedo do que descobrir que a lacuna ainda está aberta quando a avaliação começar.
7. Valide a qualidade das evidências antes de submeter
Para cada documento, confirme:
- É recente (idealmente dos últimos 12 a 24 meses)?
- Cobre o escopo correto (entidade jurídica, geografia, operações)?
- Demonstra implementação real — não apenas intenções?
- Inclui resultados mensuráveis quando relevante?
- Foi aprovado em nível adequado?
Essa revisão final é onde as perdas de pontuação evitáveis são detectadas.
Os erros mais comuns que em nossa consultoria encontramos quando realizamos nosso trabalho
Focar só em políticas. A EcoVadis avalia sistemas de gestão, não apenas compromissos. Políticas sem evidência de implementação raramente geram uma pontuação forte.
Subestimar Aquisição Sustentável. Frequentemente negligenciado — especialmente por organizações sem uma função formal de compras — mas pode representar uma parcela significativa da pontuação final.
Redigir documentos só para a avaliação. Uma política criada uma semana antes da submissão tem muito menos credibilidade do que uma em vigor há 12 meses ou mais. Se identificar uma lacuna crítica, priorize resolver cedo e construir histórico de uso.
Começar tarde demais. O objetivo da análise é dar tempo para agir. Realizada duas semanas antes do prazo, ela vira apenas diagnóstico.
O ideal é começar de 3 a 6 meses antes da submissão.
Organizações que investem tempo antecipado para mapear sua posição em relação aos requisitos da EcoVadis chegam à avaliação com mais clareza, mais controle e menos surpresas.
Mas o benefício vai além da pontuação.
A documentação de sustentabilidade construída nesse processo tem valor em múltiplas frentes: due diligence de clientes, requisitos de procurement e obrigações regulatórias futuras.
Quanto antes você começa, mais pode fazer com o que encontrar.
Quer preparar melhor sua empresa para a avaliação da ECOVADIS?
Estamos juntos