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As novas regras colocam o risco climático como elemento central nas finanças das organizações, mas não é para tanto mimimi e histeria sobre as IFRS.

Nossa consultoria vem nos últimos tempos realizando avaliações de riscos climáticos para várias organizações, principalmente as do Agro, a maioria vem a pedidos das seguradoras e, agora o sistema bancário recentemente começa a exigir não só por pela questão de saber sobre a resiliência operacional da organização bem como os impactos dos riscos físicos climáticos e os riscos de transição.

Entendo, por que esses nossos clientes resistem em fazer questionando sempre e, claro o motivo é a falta entendimento da importância para o seu negócio

Com esse texto pretendo ser o mais claro possível para vocês meus colegas que estão envolvidos nessa questão dentro de suas organizações.

Eventos como enchentes, secas prolongadas e ondas de calor deixaram de ser crises ambientais pontuais para se tornarem fatores que impactam diretamente o caixa das companhias.

No Brasil, as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 interromperam cadeias produtivas e operações industriais; na Amazônia, uma seca histórica comprometeu a navegação em rios estratégicos, elevando custos logísticos para setores como mineração e agronegócio.

Essas mudanças resultam em interrupções na produção, aumento de custos operacionais e prejuízos bilionários, agora incorporados ao cotidiano corporativo.

As normas IFRS S1 e S2, desenvolvidas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), órgão vinculado à IFRS Foundation, introduzem uma exigência de transparência sobre os impactos do clima nos resultados financeiros das organizações.

Elas criam um padrão global para reportar, de forma padronizada, como riscos climáticos e de sustentabilidade afetam resultados, estratégias e a geração de valor ao longo do tempo.

No Brasil, a adoção dessas normas depende dos reguladores nacionais.

 A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já iniciou esse processo com a resolução 193, prevendo uma obrigatoriedade progressiva para companhias abertas.

Investidores e instituições financeiras também já começam a exigir esse tipo de informação, acelerando a adaptação empresarial.

A principal mudança está nos processos internos das organizações, especialmente na identificação, avaliação e gestão dos riscos climáticos.

Muitas organizações ainda não conseguem correlacionar riscos operacionais ou estratégicos com o clima, e as novas normas passam a exigir exatamente esse vínculo.

A principal alteração trazida pelos normativos é a obrigatoriedade de integrar o risco climático à lógica financeira, associando eventos ambientais aos impactos no negócio.

 Isso inclui análise clara sobre a vulnerabilidade das organizações ao clima e a maneira como monitoram e mitigam esses riscos.

Dessa forma, eventos como enchentes, secas ou ondas de calor deixam de ser variáveis externas e passam a se traduzir em prejuízos, aumento de custos operacionais, interrupções na produção e riscos estratégicos.

Apesar da relevância da transformação, o nível de preparo das organizações ainda é baixo.

Existe um descaso generalizado e subestimação não só da mudança, mas da complexidade envolvida.

Trata-se de um esforço prévio de estruturação de processos e integração entre áreas, diferente de relatórios anuais de sustentabilidade.

A integração entre áreas como controladoria, gestão de riscos e sustentabilidade, que historicamente funcionam separadas, agora é essencial e representa um dos principais gargalos para a adaptação.

Setores como energia, agro e mineração são os primeiros a sentir mais diretamente os efeitos da mudança, devido à exposição às variáveis climáticas.

O novo cenário proporcionará maior clareza sobre riscos operacionais, estratégicos e reputacionais, mostrando como estão atrelados às questões climáticas.

Na prática, as organizações precisarão mensurar quanto uma seca pode afetar a produção, quantos eventos extremos podem interromper operações ou como novas regulações climáticas podem impactar custos, seguros e acesso a financiamento.

Também deverão detalhar planos de transição, metas e estratégias de adaptação para responder a esses riscos.

Além disso, ficará mais claro como fornecedores, clientes e parceiros influenciam o negócio em termos de riscos e oportunidades climáticas.

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