Etiópia. Projeto de construção de uma fazenda solar e eólica.
O time social queria.
O Diretor queria.
Então, aparentemente, estava tudo decidido:
“Vamos plantar tomates vermelhos de origem italiana ao lado do lago e ajudar a comunidades afinal somos ESG “.
Fui incumbido de realizar o trabalho.
Mas fiz uma pergunta simples:
“Antes de plantar, não deveríamos fazer uma análise de riscos socioambientais do projeto?”
- Ninguém me ouviu.
- A decisão já estava tomada.
- Os tomates foram plantados.
- E ficaram lindos.
- Vermelhos. Grandes. Perfeitos.
- Um verdadeiro cartão-postal do projeto.
Até que chegou à noite anterior à inauguração.
E então aconteceu o que ninguém queria considerar.
Os hipopótamos vieram. (Lago Chamo)
Sim.
O projeto ficava ao lado de um lago.
Durante a noite, os hipopótamos entraram na área e comeram praticamente toda a plantação.
Na manhã seguinte, chegaria o grande momento.
- Diretor.
- Prefeito.
- Líder comunitário.
- Convidados.
- Inauguração.
Mas, quando chegaram…
Não havia tomates.
Havia apenas o desastre.
E veio a pergunta:
“ROBERTOOOOOOOOOOOOO.. POR QUE VOCÊ NÃO PENSOU NISSO?”
Minha resposta foi simples:
“Eu pensei.”
Eu já tinha ouvido a comunidade falar que os hipopótamos entravam naquela região.
O problema é que ninguém prestou atenção.
E essa história me ensinou uma das lições mais importantes da minha carreira:
RISCO SOCIOAMBIENTAL NÃO SE IDENTIFICA APENAS EM PLANILHAS.
Ele está:
- Na comunidade.
- No território.
- Nos hábitos locais.
- Na cultura.
- Na natureza.
- Naquilo que as pessoas que vivem ali sabem, mas que muitas vezes os gestores ignoram.
- O erro não foi plantar tomates.
O erro foi decidir antes de avaliar o risco.
E esse erro acontece diariamente em projetos muito maiores e muito mais caros.
- Usinas.
- Minas.
- Projetos de energia.
- Infraestrutura.
- Agronegócio.
- Obras industriais.
- Projetos de expansão.
- M&A.
- Projetos ESG.
- Muitas empresas fazem estudos sofisticados.
- Contratam consultorias.
- Preenchem matrizes.
- Produzem relatórios.
- Criam planos de ação.
Mas esquecem uma coisa fundamental:
OUVIR QUEM CONHECE O TERRITÓRIO.
A comunidade já sabia.
Eu já tinha ouvido.
Mas a decisão estava tomada.
E quando a decisão está tomada antes da análise de riscos, muitas vezes a avaliação vira apenas uma formalidade para justificar aquilo que alguém já decidiu fazer.
Essa é a verdadeira lição dos tomates vermelhos.
Não existe gestão de risco séria quando a resposta vem antes da pergunta.
- Antes de implantar.
- Antes de investir.
- Antes de construir.
- Antes de anunciar.
Avalie o risco.
E, principalmente:
ESCUTE O TERRITÓRIO.
Porque às vezes o maior risco do projeto não está no relatório.
Está justamente naquilo que alguém tentou avisar e ninguém quis ouvir.
Aprenda com meus erros.
Eu aprendi.
E você?
Estamos juntos