Ao longo da minha trajetória profissional, iniciada em ambientes industriais de alta complexidade e consolidada por décadas atuando em Segurança, Meio Ambiente e Gestão de Riscos, aprendi que a confiabilidade de um ativo não depende apenas da tecnologia principal instalada, mas principalmente da qualidade das barreiras que protegem sua operação.
Atualmente, como consultor no Brasil, realizando processos de due diligence em ativos de geração de energia, tenho observado um desafio recorrente: muitas empresas possuem grandes investimentos em infraestrutura, equipamentos eletromecânicos e sistemas de geração, mas ainda encontram dificuldades para identificar e implementar barreiras de proteção realmente confiáveis para suas turbinas.
Em PCHs e hidroelétricas, a entrada descontrolada de macrófitas, troncos, resíduos flutuantes e outros detritos representa uma ameaça operacional significativa. Esses materiais podem comprometer tomadas d’água, aumentar esforços nos equipamentos, provocar paradas não planejadas e gerar impactos financeiros relevantes.
O ponto central da análise de due diligence não deve ser apenas verificar se existe uma barreira instalada.
A pergunta estratégica é:
Essa barreira realmente cumpre sua função como camada de proteção do ativo?
Uma barreira eficiente precisa ser avaliada considerando diversos fatores:
✔️ Material adequado para as condições ambientais e hidráulicas;
✔️ Resistência mecânica e durabilidade;
✔️ Projeto compatível com a velocidade e comportamento do fluxo;
✔️ Sistema adequado de ancoragem e fixação;
✔️ Facilidade de inspeção e manutenção;
✔️ Atendimento às boas práticas de engenharia e segurança operacional.
Durante minhas experiências internacionais acompanhando projetos na África e no Camboja, observei que a proteção dos ativos começa muito antes de um problema operacional aparecer. A prevenção precisa fazer parte da concepção do projeto e da estratégia de gestão do empreendimento.
Essa visão está diretamente conectada aos conceitos de gestão de barreiras e BOW TIE, onde identificamos:
Ameaça → Barreira Preventiva → Evento Indesejado → Barreira Mitigadora → Consequência
Uma barreira física para retenção de detritos não é apenas uma estrutura metálica ou uma tela flutuante.
Ela é uma barreira crítica dentro do sistema de confiabilidade operacional do empreendimento.
Para investidores, operadores e Conselhos de Administração, a questão deve ser analisada sob a ótica de valor do ativo:
- Qual o risco operacional associado à ausência de uma proteção adequada?
- Qual o impacto financeiro de uma parada de geração?
- Qual o custo ambiental e reputacional de uma falha?
- As barreiras existentes são robustas ou apenas atendem uma necessidade imediata?
A experiência mostra que ativos sustentáveis são aqueles que possuem uma combinação equilibrada entre engenharia, manutenção, gestão de riscos e responsabilidade ambiental.
Na geração hidrelétrica, proteger a turbina significa proteger o negócio, o meio ambiente e a continuidade da operação.
A melhor barreira é aquela que funciona quando mais precisamos dela.
Estamos juntos