Mais um relatório de sustentabilidade chega as minhas mãos para uma Due diligence de asseguração, e vejo uma “matriz de materialidade “totalmente equivocada.

Minha missão é, assegurar o relatório de sustentabilidade, mas…… sobrou para eu auditar essa matriza de materialidade.

Não é possível no estágio que estamos neste monto do ESG no Brasil alguém se equivocar tanto na elaboração, fico pensando se não é da má fé.

Antes de tudo, é fundamental entender que a matriz de materialidade serve como base para a priorização das ações de sustentabilidade.

Ela orienta a organização sobre quais temas devem receber mais atenção e recursos, garantindo que as estratégias estejam alinhadas tanto com as necessidades internas quanto com as expectativas externas.

Então, como digo para minha filha de 12 anos deixa eu desenhar para ver se se vc entende.

Vamos ao assunto;

O conceito de “materialidade” apareceu pela primeira vez nos relatórios de sustentabilidade corporativa por volta de 2005.

Em 2013, a Global Reporting Initiative (GRI) começou a exigir um processo específico para avaliações de materialidade, que desde então continuou a ganhar força.

As diretrizes mais recentes da GRI exigem que as Companhias identifiquem tópicos materiais se esses forem relevantes por meio de uma estrutura de duas dimensões:

 “(1) A importância dos impactos econômicos, ambientais e sociais da organização, ou seja, a sua importância para a economia, o ambiente ou a sociedade, de acordo com a definição de ‘impacto’ e

 (2) A sua influência substantiva nas avaliações e decisões das partes interessadas.”

Uma avaliação de materialidade é um processo que visa identificar os fatores ESG mais relevantes materiais para a Companhia e seus stakeholders.

Essa abordagem tornou-se ainda mais relevante diante da crescente pressão do mercado e da sociedade para que as empresas demonstrem transparência e responsabilidade em relação aos seus impactos.

Por isso, a materialidade não apenas orienta o relato de sustentabilidade, mas também reforça a necessidade de alinhar estratégias corporativas com as expectativas das partes interessadas.

Entre centenas de fatores ESG, a avaliação restringe-se e centra-se naqueles mais importantes para as partes interessadas in ternas e externas à empresa.

Esses fatores mais importantes estão representados numa matriz de materialidade que pode ser utilizada para informar as prioridades de gestão de riscos, a alocação de recursos e as estratégias empresariais.

 A importância de cada fator ESG para as partes interessadas externas e internas é avaliada incorporando usualmente:

  1. Principais estruturas e padrões;
  2. Agências de rating em ESG;
  3. Normas da indústria e melhores práticas de pares;
  4.  Pesquisas com as partes interessadas.
  5. A avaliação fornece informações sobre potenciais desalinhamentos entre prioridades internas e externas e serve de proxy do compromisso da empresa em incorporar a contribuição das partes interessadas no seu processo de tomada de decisão.

Em 2018, o Sustainable Accounting and Stan dards Board (SASB) desenvolveu 77 padrões setoriais que identificam tópicos de sustentabilidade financeiramente relevantes para cada setor.

O Integrated Reporting Council (IIRC) também interpretou a materialidade via uma lente financeira e considera o fator material se houver um “efeito substantivo na capacidade da organização de criar valor no curto, médio e longo prazo”.

Em 2021, essas duas organizações fundiram-se para formar a Value Reporting Foundation (VRF).

Em 2019, a Comissão da União Europeia (UE) introduziu o termo “dupla materialidade” quando a Sustainable Financial Disclosure Regulation foi adotada.

 As novas regras de reporte exigem que as empresas avaliem questões ESG que sejam relevantes tanto do ponto de vista financeiro como do impacto.

O conceito enfatiza a importância de como os fatores ESG podem criar riscos e oportunidades de negócios, não apenas no que se refere ao desempenho financeiro da empresa, mas também ao impacto da empresa na sociedade e no meio ambiente.

Esse conceito amplia o entendimento tradicional de materialidade, exigindo uma análise abrangente que considere tanto os riscos e oportunidades para a empresa quanto os efeitos que suas atividades geram na sociedade e no meio ambiente.

Dessa forma, a dupla materialidade tornou-se um princípio orientador para a elaboração de relatórios de sustentabilidade mais completos e transparentes.

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