TRANSPORTE DE PRODUTOS PERIGOSOS, IMPACTO AMBIENTAL = IMPACTO SOCIOECONÔMICO


Nestas últimas semanas devido a minha participação em palestras e eventos, viajei muitos por nossas estradas, tanto as do Sul como Nordeste.

E quem tem paixão pelo que faz, tem olho clinico para certas situações e por uma questão de hábito, acaba se envolvendo mesmo sem ser convidado.

Como mencionado em outros textos, por mais que eu tente controlar e disfarçar, minha alma de eco chato, bio desagradável e de comportamento seguro sempre escapa e aflora, quando deveria ficar quieto no meu canto.

Presenciei 6 acidentes com produtos perigosos nas estradas, em alguns cheguei a parar e orientar a logística de atendimento e a execução dos procedimentos de como deveriam proceder.

Resumindo, estamos mal nesta questão por este país afora, infelizmente a compreensão de um acidente ambiental com produtos perigosos ainda é muito pouco levada a sério.

Um acidente com produtos perigosos causa um grande impacto socioambiental dependendo da situação onde acontece e com o passar dos anos, tornou-se uma grande preocupação em nossa sociedade.

Ao longo da história, pudemos assistir diversos casos e mais recentemente também, que quando o acidente ambiental ocorre, se torna evidente a falta de preparo em mitigar os impactos nas comunidades atingidas.

Seja através de um plano de atendimento realmente factível ou por total fato de preparo em lidar com estas emergências.

Os efeitos causados por alguns acidentes ocorridos em nossa história industrial causaram perdas de vidas humanas, de patrimônio e prejuízos incalculáveis para o meio ambiente.

Seveso, na Itália, em 1976;

Bhopal, na Índia, em 1984;

Chernobyl, na União Soviética, em 1986;

Exxon Valdez, no Alaska, em 1989;

Rompimento de barragem de rejeitos em MG, 2015;

Incêndio e explosões de produtos perigosos no porto de Santos, 2015 e 2016.

A partir da divulgação destes desastres ambientais que impactam socioeconomicamente as regiões afetadas, a sociedade começou a cobrar ações de prevenção e de controle para as fontes fixas e móveis potencialmente causadoras de danos.

No caso de transporte de produtos perigosos, por exemplo só foi regulamentado no Brasil em 1983, através do Decreto Federal nº 88.821 e do Decreto Lei nº 2.063.

Existe também um conjunto de Normas Técnicas, elaboradas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que padroniza as exigências para o transporte cargas perigosas.

Em uma logística de atendimento, como no caso de acidentes no transporte de cargas perigosas o fator tempo é considerado como a diferença entre o sucesso e o fracasso da operação.

Como uma equipe qualificada, planos de emergência bem elaborados e bem estruturados, são estritamente necessários também.

Com o objetivo de prevenir uma ação de combate mais eficiente e o controle dos efeitos causados pelo impacto socioambiental ocorridos no transporte de produtos perigosos, novos dispositivos são elaborados e revisados periodicamente.

Revisão dos procedimentos foram estabelecidos, como a exigência pelos órgãos ambientais da apresentação dos planos de emergência e do licenciamento ambiental para as transportadoras.

Ao mesmo tempo por conscientização e uma questão de sobrevivência as exigências do mercado as transportadoras e as industrias com maior potencial de risco evoluíram.

Principalmente, na criação e manutenção de equipes especializadas em gestão de risco em avaliar o potencial e para agir de imediato em situações emergenciais, demonstrando grande preocupação com as consequências de um possível dano.

Todos os produtos perigosos têm seu potencial de impacto, em função de suas características físico-químicas, podendo ser explosivos, inflamáveis, tóxicos, oxidantes, corrosivos e radioativos.

Uma vez mantidos e transportados em condições de segurança, o potencial de risco é reduzido.

“Como a única coisa boa de um acidente é o aprendizado que se tira dele”

É importante que também sejam feitos significativos investimentos na prevenção dos acidentes ambientais.

Os princípios de prevenção e de uma ação eficiente de combate têm como objetivo evitar e reduzir os efeitos gerados por acidentes, pois vidas humanas estão ameaçadas em todas as etapas do atendimento.

Acidente zero para emergências é uma meta muito difícil de ser atingida, mas tem que ser perseguida como objetivo maior.

Bom lembrar, que a eficiência em ações de combate tem a mesma importância que as medidas de prevenção.

A precaução reduz as possibilidades de acidentes, mas no caso de uma ocorrência, para a obtenção do máximo de eficiência nos procedimentos em uma ação de combate a uma situação emergencial, a equipe envolvida necessita estar bem preparada e ter entre outros:

Poder na tomada de decisões;

Equilíbrio emocional;

Integração com outros órgãos;

Qualificação constante.

Além disso, os procedimentos iniciais devem ser permanentemente testados visando padronizar a atuação dos membros da equipe através do registro e confirmação da ocorrência, da verificação das características do produto, da separação dos equipamentos de proteção individual e da efetuação de contatos com outros órgãos.

A minha proposta de reflexão deste texto é o de discutir os riscos provenientes de impacto socioambiental, proveniente da movimentação de cargas perigosas, que transitam em perímetros urbanos e ameaçam os corpos hídricos que abastecem a população.

No Brasil, a empresa potencialmente causadora de impacto socioambiental que não adotar a filosofia de trabalho em conjunto estará sujeita ao fracasso com perdas irreversíveis no futuro.

Hoje é inadmissível cogitar-se redução de custos baseada na eliminação de segurança e de prevenção ambiental.

Esta é a única opção de um setor que cada vez mais se especializa, afastando os amadores e curiosos.

Pelo o que eu pude observar nestes acidentes ambientais com produtos perigosos na estrada, a máxima que escutei a alguns anos quando iniciei em atendimento de emergências ambientais.

Na subida do Everest existem centenas de corpos de pessoas altamente motivadas “

Vai valer por um bom tempo!

Estamos juntos!

• Publicado em 24 de junho de 2016

Os Mais Vistos
Certo,muito legal,mas…. .Quem vai cuidar de ... Quando nossos descobridores chegaram ao Brasil, uma grande porcentagem do território que hoje pertencem ao nosso país era coberta por nossas matas. ...
Cultura Organizacional, fator chave na Prevenção a... Ultimamente, muito se fala no Brasil da necessidade de termos empresas compromissadas com a Sustentabilidade e proteção ao meio ambiente. Em um...
03-APRENDA COM MEUS ERROS,COMPLACÊNCIA MATA ! Acreditar que o QSMS-RS e ações de Sustentabilidade só geram custo , é por que ainda não realizou as consequências da falta ou má gestão destes . O...
MARKETING, SUSTENTABILIDADE E PREVENCÃO AMBIENTAL   Sustentabilidade e desenvolvimento econômico não são mais ideais incompatíveis, e hoje caminham lado a lado. O desenvolvimento sustentável, no...

Sobre Roberto Roche

Roberto Roche ao longo de três décadas consolidou sua experiência exercendo vários cargos de alta direção em QSMS–RS & Sustentabilidade nas áreas de Óleo & Gás, Construção Civil Pesada, Montagem Industrial, Portos e Mineração em mais de 15 países na América Latina, África e Oriente Médio como Mars, Queiroz Galvao Internacional e Odebrecht Internacional e Imerys .

Deixe uma resposta