Sustentabilidade Corporativa um modelo de negócio, da teoria para a prática.


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Sustentabilidade Corporativa um modelo de negócio, da teoria para a prática.

Anos 80, início da minha carreira profissional, de repente a palavra Sustentabilidade começa a ganhar força em reuniões na ONU, mas até então nada especificamente sobre sustentabilidade corporativa.

Um CEO em seu pronunciamento ao assumir uma empresa, onde o número de fatalidades era alto, diz: A partir de agora vou tornar essa empresa a mais segura possível para se trabalhar e iniciou uma campanha de segurança do trabalho fortíssima, implantando modelos que até hoje são seguidos por quase todos das industrias.

Esse foi o primeiro terremoto no mundo corporativo na direção da Sustentabilidade corporativa, mas ainda este termo não era mencionado no mundo das organizações.

Empresas enfim começam um movimento em direção e externando preocupação com as questões ambientais, diante de grandes acidentes ambientais que vem à tona, a mídia e sociedade começam a cobrar, e o termo Sustentabilidade começa a estar timidamente presente em alguns discursos de CEOs e começa ser balbuciada em alguns conselhos.

Ainda no meio dos anos 80, iniciava meus trabalhos depois de um tempo em plataformas de petróleo no mar do Norte, como coordenador de segurança e meio ambiente, na pior unidade da organização em termos de acidentes tanto de segurança do trabalhador como ambientais.

Dia sim dia não alguém se acidentava ou tínhamos um vazamento de produto perigoso na área, “que escola foi para mim, iniciando nessa unidade”.

Eis que, para não ficar para trás e estar dentro da nova onda que se iniciava, um novo CEO assumia a organização na qual eu fazia parte e em seu discurso falou sobre essa tal de” sustentabilidade”, e escolheu nossa unidade para aplicar tal conceito, já que nosso histórico era péssimo.

Chamado pelo diretor, em sua sala (Pronto, fui demitido, depois do milésimo acidente de hoje,), este comunica que está tal de Sustentabiliade era para ser implantada em nossa unidade e….. SE VIRA !!!!!, o chefe quer e ele vai ter.

Sinceramente não tinha a menor ideia do que era essa tal de sustentabilidade corporativa e o que tinha de ver com o mundo industrial.

Até aquele momento,  esse tema para o mundo em geral ,  era só sobre meio ambiente e recursos naturais, bem diferente do que é hoje, onde tudo que a area de produção não quer se meter , mas tem que aceitar por uma questão de sobrevivência do negócio  e  joga para o departamento de QMS-RS & Sustentabilidade e sempre com a visão de CUSTO !

Pensamos daqui, dali, estudamos, nosso diretor sendo apertado pelo CEO, ou seja, o de sempre; E alguém sugeriu!!

Vamos tratar nossos efluentes e reutiliza-los!

Apresentamos ao diretor, e ele como de costume; QUANTO? CUSTO X BENEFICIO ?,  e não vou contratar ninguém , não temos Opex , que fique bem claro !

Na época, o custo do projeto era de uns US 500.000, quando apresentei quase me despediu, mas era desejo do grande chefe, ele engoliu e disse: 500???, para que 400? tome 300 e não gaste tudo, quero troco.

Fomos nós sermos sustentáveis;

Gastamos US 300.000, não funcionou e pedimos mais US 200.000 e não funcionou.

Ao mesmo tempo, a economia pegou uma gripe na época e nossa área como de costume pegou uma pneumonia e chegaram conclusão para abandonar o projeto da estação e de ser sustentável.

Não se tocou mais no assunto e continuamos como antes.

Posso contar vários dos meus fracassos em projetos para ser uma empresa sustentável, mas deixo para as minhas palestras e treinamentos.

Lições aprendidas, com passar do tempo e com novas tecnologias.

Essa tal de Sustentabiliade e agora já tomando corpo como sustentabilidade corporativa ganhou força, e passou a ser uma modelo de negócio, adotados por uns por acreditarem e por outros para não ficar atrás da concorrência e da mídia/marketing.

Sustentabiliade corporativa por ser um modelo de negócio e como todo negócio não é para amadores.

Mas ……, mesmo assim, encontramos aos montes, cada um com a sua sacada de SUSTENTABILIDADE, e vendendo seu peixe.

Observo abismado, pessoas que nunca trabalharam na linha de frente dando palpites e escrevendo livro de dicas como ser sustentável nas organizações.

“O segredo do sucesso do guru é dar a palestra e sair correndo da empresa”

Só, que como vimos no meu fracasso mencionado logo no início e como diz a máxima:” O buraco é bem mais embaixo”.

Hoje o tema sustentabilidade deixou de ser novidade nas organizações.

Observamos, setores específicos em grandes empresas dedicados exclusivamente a ele no qual são sustentados sob os pilares do QSMS-RS, onde sem estes bem executados não existiria.

Mas, mais do que um compromisso corporativo, como esse assunto nos toca em nosso dia a dia da empresa?

 Como podemos enxergá-lo de maneira tangível, para além do discurso bonito?

A distância da teoria, o famoso “mimimi”, até a pratica é bem distante.

O primeiro passo, em adotar como modelo de negócio é deixar claro quais são os impactos reais das ações da área e se é viável economicamente tomar esta ação.

Corporativamente falando, qual a possibilidade de gerar impacto socio ambiental?

“O que, de fato, tem a ver com meu negócio? Quais são as expectativas dos meus principais stakeholders?

Conseguiu tangibilizar ações que efetivamente traduziam ganhos socioambientais e, ao mesmo tempo, econômicos?

Minha lei fundamental do sucesso de sustentabilidade corporativa é adaptar seu programa para sua própria organização;

Isso significa que devemos estar sempre questionando, quando pretendemos tomar uma nova ação, questionar sempre :Será que esta ação encaixa em nosso propósito?

Onde quero chegar depois deste texto que divido com vocês

Sustentabilidade por mais apaixonante que seja o tema, quando se trata de sustentabilidade corporativa, na prática no dia a dia, NÃO é para amadores, achistas ou acadêmicos ou melhor para quem nunca bateu um prego o mundo corporativo.

Os acionistas investem em Sustentabilidade corporativa por um simples motivo:

Empresas que adotam este modelo de negócio possuem menos riscos de serem fechadas por um escândalo como trabalho infantil em sua linha de fornecedores ou impacto socioambiental, simples.

Mas atenção, um erro comum que observo em minhas auditorias de Sustentabilidade!

A empresa, por decidir abarcar iniciativas demais sob o mesmo guarda-chuva, acaba chegando a um ponto em que não consegue mais dar conta com a mesma propriedade de antes.

A importância de assumir compromissos com uma visão sustentável do seu negócio é indiscutível.

Mas é preciso que as ações estejam alinhadas com a visão e a estratégia geral da organização.

Todo investimento em sustentabilidade tem que dar retorno, se não a empresa fecha.

E aí meus amigos não existe mais está tal de Sustentabilidade.

Vai chegar um dia em que a sociedade não vai mais admitir que empresas existam por causa dos seus impactos socioambientais

Para que isso não aconteça, profissionais bem treinados, visão ampliada, a área de QSMS-RS em 100% compliance, gestão de riscos dos impactos socioambientais e muito, mas muito esforço, só assim para garantir a sobrevivência da organização.

Estamos juntos!