O que eu aprendi na África e Índia em Gestão de riscos socioambientais em linhas de transmissão e oleodutos.


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Quando contratado alguns anos para assumir a vice-presidência de Sustentabilidade e QSMS-RS e ODSs (objetivos do desenvolvimento Sustentável l) em 6 países da Africa e 2 duas cidades na índia para projetos de energia renovável como eólica, fotovoltaica, biogás e hidroelétrica, sabia que fortes emoções viriam, afinal já se passam 16 anos de África.

Uma missão em que teria que montar e treinar uma equipe de 92 de profissionais de todas as áreas e enfrentaria o maior desafio de minha vida profissional de reassentar vilas inteiras e criar programas e mais programas visando os ODSs, seguir as exigências dos padrões do IFC e bem como os protocolos do princípio do Equador, e claro as de sempre como OSHAS etc…

Até aí, mais um trabalho, com a diferença desta vez trabalhar forte na parte SOCIO AMBIENTAL, com comunidades, cultura, costumes e crenças bem diferentes, de uma parte da Africa que não conhecia e da Índia, onde estreava profissionalmente naquele país.

Seguir as exigências do IFC, bancos internacionais e investidores não era novidade, já possuía muitos anos seguindo os padrões do nosso BNDES e trabalhando para private equity, mas não tinha ideia do que estava por vir.

Responsabilidade Social e Ambiental e a Gestão de suas Condicionantes é coisa muito séria, respeito com o próximo é fundamental, respeito com as culturas nem se fala.

Mas saber qual os programas sociais certos para cada vila, como realizar a comunicação certa para todos os stakeholders é outra história,
Meu deus, como eu errei, não sei quantas vezes nesses anos.

O fracasso é solitário.

Quando você acerta, é o cara! Mas quando erra, quando um Kpi está fora da meta, quando o investidor pergunta para você: Gastei 100.00 mil dólares em projetos sociais para esta vila, qual o meu retorno? E você fica com cara de bunda, pois nunca tinham me cobrado esses Kpis!

Passa ser um pesadelo, foram alguns anos, não tinha obrigação nenhuma de estar na linha de frente, mas quem é do trecho não consegue ficar longe, eu tinha sempre uma desculpa para estar na linha de frente com os meus colegas, e como aprendi nos fuzileiros navais. Quem quer faz, quem não quer manda fazer

Se não estivesse encima auditando as 28 consultorias que no início diziam ser as ban ban ban em levantamento sócio econômico e projeto sociais, tinha sido demitido logo de cara.

Uma coisa é ser uma consultoria de projetos socias que faz trabalho aí e volta fica sempre perto de cidades dentro do Brasil, a outra e mergulhar dento do universo das comunidades que estão sendo impactadas pela sua operação, lidando com as mais diversidades possíveis e imagináveis.

Um projeto bem-sucedido ali na comunidade pertinho no Brasil não significa que vai ser bem-sucedido na África ou Índia, e na hora de vender, papel aceita tudo.

Falar de sustentabilidade é fácil, dar palestras e dar prêmios também, mas vem fazer aqui na linha de frente, vem!

Uma passagem para rir e descontrair neste texto (na época eu quase chorei):

Estava percorrendo uma estrada, se é que se pode chamar de estrada, no meio da selva em Mongamayegubut (fronteira Guine Equatorial e Congo).

Nosso carro quebra no meio do nada, sem sinal de celular (claro no meio do nada), ali perto tinha a montanha dos gorilas anões e tinha que atravessar.
Bem, comecei a caminhar em busca de uma vila ou o que seja.

O motorista ficou, pois ele é de uma tribo que de origem diferente daquelas da área e estamos em uma região onde a tribo dele escravizava a outra no passado e seria reconhecido por ter feições diferentes e coisa e tal, e se fosse, poderia ser morto.

Bem chego na vila, suado, um calor de 50 graus com uma humidade de afogar qualquer um, mosquito de malária a dar com pau.

Entro em uma birosca para pedir ajuda, descubro que estou em outro país (África é assim) com o meu francês tento me entender com o dono do bar, ele com o francês misturado com dialeto, foi f……., bem ele tinha rádio e consegui chamar ajuda.

Sentado na birosca me entram dois milicianos armados com AK47 e com as caras de poucos amigos, ficam me olhando desconfiados (carne branca fresca no pedaço)!

O dono da birosca explica que sou brasileiro e não francês a eles (ser francês dependendo do lugar África não é bom negócio por causa da colonização).
Mas, ficam me encarando e eu pensando nos meus filhos, minha esposa, meu Flamengo e meus país (que saudade nessa hora), bem como seria meu fim e se alguém um dia ia saber.

De repente um deles vai no carro e traz um LP de vinil da Elis Regina de 1965 e pede para o dono da birosca tocar e tocou “tristezaaaa, por favor vai embora …. ”

Disseram era em minha homenagem e explicou que quando o pai dele estava exilado na França foi ao show dela e ficou fã da voz e de música brasileira, e ele passou a vida toda escutando o disco e gostava da música do Miltinho (eu acho) cantada pela Elis.

PODE ISSO !!!!!!!, acho que tinha sujado minhas calcas um pouco.

Chegou ajuda e voltei ao acampamento, um pouco sujo.

Moral: Têm horas que é uma tremenda vantagem ser brasileiro!!!!

Falando sério, trabalhar com comunidades foi maior benção que que recebi na minha profissional, lidar com os shake folders, não é fácil, saber mapeá-los também não é fácil.

Mas aprendi em meus muitos erros e poucos acertos, que qualquer projeto tem que ter uma gestão de risco socioambiental muito bem identificada e mapeada para evitar paradas indesejadas, os projetos sociais têm que ser de total relevância para aquela comunidade, se não for realizado com pessoas com muita experiencia, Governança, ou seja transparência total para os stakeholders e um proposito !

Sim um propósito;

Estou impactando suas vidas com minhas operações, mas com respeito as suas tradições, tentarei ao meu máximo mitigar o impacto socio ambiental negativos e maximizar os impactos positivos que podemos proporcionar a sua nova vida neste novo local.

Senão for feito desta maneira, sua operação inviabiliza e nenhum banco ou investidor quer assistir na mídia seu nome atrelado a desastres socioambientais, exemplo hoje na mídia temos muitos.

Vocês sabem por que os investidores preferem empresas que tem como modelo em negócio a gestão em Sustentabilidade corporativa?

Por que tem menos riscos sócios ambientais, e estes encerram suas atividades da noite para o dia se não forem bem implantados e bem conduzidos.
Gestão das suas condicionantes, é fundamental para qualquer empreendimento

Estamos juntos!