Logística de Atendimento a Emergência Ambiental Portuária , Qual a Realidade em nossos Portos ?


Logística de Atendimento a Emergência Ambiental Portuária , Qual a Realidade em nossos Portos ?

Desde o meu primeiro trabalho em QSMS nas plataformas do mar do Norte.

A pronta reposta a acidentes a derrame de óleo em alto mar e em portos, passou a fazer parte da minha vida profissional.

Até a função de gestor sênior de QSMS-RS em algumas bases e terminais petroquímicos na África, foram muitos sustos e lições aprendidas (descritos em outros artigos).

Com o tempo, e sempre aprendendo, desenvolvi uma visão ampliada das grandes dificuldades e de como é difícil e complicada a logística de atendimento a acidentes ambientais tanto no modal terrestre e portos, até sua conclusão recuperando o passivo ambiental causado pelo impacto.

Fiquei assustado com a repercussão em meu último artigo sobre este assunto (Qualidade das empresas de atendimento a emergência ambiental e coleta de resíduos, você conhece a sua?).

A quantidade de e-mails de vários stakeholders e empresas, com comentários sobre a falta de qualidade de atendimento de quando foram acionadas as empresas responsáveis em atuar no cenário do acidente e as consequências jurídicas depois que foram imputadas por falta de uma um bom atendimento.

Levou a refletir e a escrever este texto.

Qual a realidade em nossos portos, bases, terminais, marinas e etc., quanto ao atendimento emergencial a desastres ambientais?

Os impactos ambientais originados por acidentes com o transporte de óleo e produtos perigosos contribuem, anualmente, para a poluição global dos oceanos e corpos hídricos.

Todos os anos, toneladas são derramadas em acidentes ou descargas ilegais, com graves consequências econômicas e ambientais.

Sim, volto a repetir; DESASTRES AMBIENTAIS CAUSAM DESASTRES ECONÔMICOS!

Dos acidentes com petroleiros, que infelizmente não são raros, até vazamentos em operações do dia a dia, que também não são muito comentados pela mídia, (este ano já tivemos alguns).

Quando o meio ambiente aquático é impactado formam extensas manchas, algumas até de difícil visualização.

São as chamadas marés da morte, de efeitos altamente destruidores, provocando uma enorme mortandade na fauna (aves marinhas, peixes, moluscos, crustáceos, etc.).

A difusão do oxigênio do ar na água é afetada, destruindo a cadeia alimentícia.

Além disso, esses produtos como óleo por exemplo aderem às brânquias de peixes e outros animais marinhos, impedindo trocas respiratórias adequadas e matando-os por asfixia.

Quando as marés da morte atingem as zonas costeiras, os seus efeitos tornam-se ainda mais catastróficos.

Além de destruírem a fauna e a flora, provocam enormes prejuízos à sociedade entre outros como a atividade pesqueira ou impacto negativo na atividade turística, já que os resíduos, de remoção difícil, impedem durante muito tempo a utilização das praias.

Apesar da existência da legislação de crimes ambientais, várias normas regulatórias e a demanda da sociedade.

A verdade é que a lógica do lucro imediato e falta de visão estratégica tem conduzido a um comportamento irresponsável e de total descaso a uma gestão de sustentabilidade e QSMS-RS portuária.

No universo de portos no Brasil, e cada vez mais crescendo. Onde também incluo as bases de apoio, terminais petroquímicos, marinas etc.

Não custa perguntar: Quem possui um sistema de gestão e Sustentabilidade e QSMS-RS organizado?

E quem está preparado para um atendimento a um vazamento de produtos perigosos?

Quais são as empresas que sabem o que estão fazendo quando prestam ao atendimento emergencial?

Ter uma boa gestão nesta área, muita das vezes não quer dizer nada, principalmente se não estão preparados para conter qualquer acidente ambiental.

As operações de lavagem dos tanques dos navios e pequenas embarcações em plena costa ainda são comuns, quando não são realizados dentro das próprias instalações portuárias e são derramadas enormes quantidades de óleo, que, não raramente, originam autênticas marés negras, mas continuam a cometer abusos, dada a dificuldade de fiscalização ou apenas não se importar.

Os oceanos há muito tempo vêm sendo usados como depósitos de detritos e resíduos perigosos. É difícil saber a quantidade exata de poluentes lançados ao mar, pois todos os dias, os mares e corpos hídricos recebem toneladas de resíduos.

As regiões estuarinas, os manguezais, os corais e as baías são os locais de procriação da grande maioria da fauna marinha. São nestes locais que principalmente camarões e centenas de espécies de peixes de potencial alimentar humano se reproduzem e criam.

Justamente aí, nestes riquíssimos ambientes marinhos é que estão os maiores efeitos da poluição quanto a um acidente ambiental.

A necessidade de não só criar uma cultura organizacional, mas realmente abraçar a causa de uma ter uma excelente gestão de prevenção e Sustentabilidade é o maior desafio para todos aqueles que administram portos, terminais, plataformas e etc.

E se não tomarem providências imediatas, vamos continuar a assistir cada vez mais desastres ambientais e seus impactos.

Quanto a qualidade das empresas que atendem a estas emergências.

Só resta esperar que sejam qualificadas, treinadas a exaustão, que tenham responsabilidade na logística de atendimento do início ao fim (destino final de correto de resíduo).

Marketing, websites e papel aceitam tudo.

Mas na hora “H” só se estabelece quem tem competência.

E quem não possui, o cliente paga a conta final.

Estamos juntos !

  • Publicado em 20 de maio de 2016
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Sobre Roberto Roche

Roberto Roche ao longo de três décadas consolidou sua experiência exercendo vários cargos de alta direção em QSMS–RS & Sustentabilidade nas áreas de Óleo & Gás, Construção Civil Pesada, Montagem Industrial, Portos e Mineração em mais de 15 países na América Latina, África e Oriente Médio como Mars, Queiroz Galvao Internacional e Odebrecht Internacional e Imerys .

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