Análise de risco socioambiental, bem elaborado, vale a pena?


Assistindo o programa esporte espetacular  sobre o impacto sócio ambiental do rompimento da barragem em MG e como influenciou as vidas das pessoas e as consequências econômicas do desastre.

Realmente me comoveu!

De minha parte deu para sentir como as vidas destas pessoas foram afetadas, e decidi escrever um pouco a respeito da importância do profissional que participa de uma análise de risco sócio ambiental em projetos/empreendimentos e as consequências ser forem mal elaboradas.

No caso do rompimento da barragem em MG, quem tinha pouco ficou sem nada, quem tinha algo perdeu tudo, ou seja, o impacto econômico foi implacável.

Sim, desastres ambientais causam desastres econômicos!!!!!!

Vidas foram perdidas e vidas foram afetadas psicologicamente para sempre. Quanto ao meio ambiente não vou mencionar, pois também não temos palavras para explicar as consequências do impacto.

Muito se fala das consequências financeiras das empresas envolvidas, mas é outros players que podem ser responsabilizados? Quem elaborou a análise de risco sócio ambiental, por exemplo?

Instituições financeiras que emprestaram para desenvolvimento do empreendimento, instituições que deram as autorizações para o funcionamento e consultorias que prestaram serviços (são muitas) e por aí vamos.

Vão ser responsabilizados também, não tenham dúvidas.

Citando um bom exemplo de como funciona no mundo empresarial: Pôr conta do aumento da preocupação com a sustentabilidade das organizações, as instituições financeiras passaram a colocar na balança aspectos econômicos, ambientais e sociais antes de conceder o crédito.

E isso vale tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas.

A corresponsabilidade no acontecimento envolve a muitos e mais uma vez alerto a nós gestores de sustentabilidade e QSMS-RS ao exercer sua profissão quando assinarem suas ARTs a não se deixarem levar pela irresponsabilidade ao assumir trabalhos como licenciamento, laudos de emissões, suas análises de risco e etc., por exemplo.

Uma análise de risco socioambiental, não pode ser realizada por qualquer um, tem muito em jogo (vide os exemplos acima mencionados) e a responsabilidade é sem dúvida é enorme.

Como Diretor corporativo da área já tive de uma só vez 34 projetos sob nossa responsabilidade em diferentes continentes, para dar suporte e reportar ao Board os Kpis de Sustentabilidade e QSMS-RS.

Uma vez envolvidos em novos projetos, aquisições ou fusões, a atenção de nossa equipe era toda voltada para as ” N ” possibilidades do que poderia acontecer nas análises de risco ou nas due diligence de aquisição.

Com o tempo ficamos escaldados em startups em projetos Green Field ou Brown Field ao realizar a análise de risco, pois já tínhamos muito mais erros do que acertos em nosso back log e isso nos dava uma visão ampliada do que poderia sair errado e estarmos preparados para ações de mitigação ou emergência.

Quando é um projeto Green Field se pode ainda mitigar muito os impactos socioambientais e/ou elaborar um ótimo plano de emergência, quando estes são previstos na análise de risco.

Mas quando é Brown Field a atenção é maior, como por exemplo: assumir uma planta industrial ou um site já em construção onde a comunidade está colada no seu muro (olhem a volta que vocês vão achar muitas situações como estas por aí) ou ao lado de um corpo d’água.

Ainda recordo de um diretor que não aceitou muito bem, quando minha análise de risco concordou com a do banco e este, não quis emprestar o dinheiro para o empreendimento, ele ficou me olhando de lado por um bom tempo.

Estava realizando meu trabalho não poderia omitir afinal a responsabilidade são com os acionistas, comunidades, a vida dos colaboradores e o resultado do negócio.

Nestes anos todos na linha de frente em grandes projetos, se nós não utilizarmos nossa vivência da área em questão, gestão de lições aprendidas e gestão de impactos após acidentes e colocarmos em prática, de que servimos para a corporação?

A responsabilidade é grande de todos os players. E garanto que nenhum acionista quer ver seu nome envolvido em grandes acidentes ambientais, independentemente do tamanho da atividade econômica.

Voltando ao título. Vale a pena?

Estamos juntos!

Publicado em 14 de fevereiro de 2016

Os Mais Vistos
Gestão de Frotas e sua Responsabilidade Cívil e Cr...   Gestão de Frotas e sua Responsabilidade Cívil e Criminal por danos Socioambientais Após escrever artigo sobre a importância da auditoria SASS...
GESTÃO DE RISCOS A ACIDENTES AMBIENTAIS , VISÃO ES... A gestão do risco se faz necessária e é parte integrante da sustentabilidade empresarial seja em qualquer tipo de atividade econômica independenteme...
Gerenciando o Risco Socioambiental do seu negócio ... Alguns uns anos, um gigante mundial de produção de cereais resolveu dar de brinde um brinquedinho dentro de seus pacotes, foi um sucesso inclusive...
DESASTRES AMBIENTAIS CAUSAM DESASTRES SOCIOECONÔMI... Nunca como em nenhuma outra época o homem tentou reverter o quadro de degradação ecológica em que se encontra a Terra. Pois para alguns já perdemos...

Sobre Roberto Roche

Roberto Roche ao longo de três décadas consolidou sua experiência exercendo vários cargos de alta direção em QSMS–RS & Sustentabilidade nas áreas de Óleo & Gás, Construção Civil Pesada, Montagem Industrial, Portos e Mineração em mais de 15 países na América Latina, África e Oriente Médio como Mars, Queiroz Galvao Internacional e Odebrecht Internacional e Imerys .

Deixe uma resposta